Opinião
A MELHOR VIA
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Entre os anos de 1964 e 1985, o Brasil esteve sob um regime fardado. Há exatamente 57 anos, os tanques encerraram o curto período democrático vivido pelo País. Não foi um movimento meramente militar, mas houve envolvimento civil. Na época, a sociedade brasileira, tal qual hoje, estava polarizada. Era época da Guerra Fria, e havia entre alguns setores a crença de que o governo do presidente João Goulart pretendia transformar o Brasil numa nova Cuba.
Influentes políticos, empresários, clérigos e latifundiários viam na intervenção militar uma forma de salvar o País de uma suposta ameaça comunista. Assim deu-se o movimento que derrubou Goulart e iniciou a era de generais, que passaram a se alternar no poder. O período foi marcado por censura à imprensa e às artes, cassações, exílios, prisões, desaparecimentos. No campo político, o regime instalou um modelo de dois partidos e muitas restrições. Durante algum tempo, o regime também se sustentou pelo que ficou conhecido como “milagre econômico”, mas foi um processo concentrador de renda e baseado em grande endividamento externo. O milagre não durou muito. A crise econômica precipitou o fim da era dos militares, que saíram de cena melancolicamente. A redemocratização do Brasil, iniciada em 1985, decerto não resolveu todos os problemas do País. Nessas mais de três décadas, sofremos crises inflacionárias, denúncias de corrupção, crises políticas, dois impeachments. É preciso entender, porém, que a nação ainda está em processo de amadurecimento. Em tempos de ebulição política, alguns grupos chegam até a clamar por uma intervenção militar. É preciso reforçar que temos todas as condições de mudar o País pela via democrática. É um processo lento, com avanços e revezes, mas não há outro caminho nem atalhos. Regimes autoritários, de triste memória, sejam eles de direita ou de esquerda, devem ficar no passado. É necessário ter sempre em mente as palavras de Churchill: “a democracia é a pior forma de governo, salvo todas as demais formas que têm sido experimentadas de tempos em tempos”.