Opinião
Cidadania e fome
É mérito inegável do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter destacado como prioridade nacional o combate à fome. Méritos à parte, o Projeto Fome Zero, desde que foi lançado, suscitou críticas de aliados e adversários do governo. Aos críticos do Fome Zero, a resposta do governo era de que os problemas surgidos eram decorrentes do processo natural de implantação de um programa desta natureza. Àqueles que insistiam em sua semelhança com outras políticas públicas compensatórias, implantadas durante o governo de FHC, eram mostradas as exigências para que os candidatos fossem aceitos no programa. As críticas de opositores do governo federal não surpreendiam ninguém. Mas quando elas começaram a ser feitas por tradicionais aliados do presidente, passaram a ter uma repercussão maior, principalmente quando disparadas por estrelas como Dom Mauro Morelli, bispo de Duque de Caxias (Rio de Janeiro) e membro do Conselho de Segurança Alimentar . Desde o início da implantação do Fome Zero no país, Dom Mauro tornou-se um dos seus principais críticos. Em sua opinião, ?a estrutura que o governo idealizou não corresponde à experiência que nós, que fazemos parte dos movimentos sociais temos. Eles (o governo) não entendem de movimentos sociais e a proposta apresentada para combater a fome não traz uma dimensão decisiva da alimentação que é a nutrição?. Num determinado sentido, o governo federal, com a unificação dos programas sociais, aumentou a abrangência das famílias assistidas, isso é algo digno de elogios. Mas não deixam de ser pertinentes, por sua vez, preocupações como a do Bispo de Duque de Caxias, que em defesa de suas observações, alerta: ?Um país que não tem saúde e não prioriza a educação, não tem democracia. É preciso investir nessas áreas, assim como em habitação popular, melhorando a qualidade de vida das pessoas, colocando as crianças nas escolas, mas crianças bem nutridas e não com fome. Aí, sim, teremos um avanço no Brasil?. Um recado que merece ser ouvido.