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Opinião

EM SEGUNDO PLANO

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A pandemia do novo coronavírus, que já vitimou mais de 345 mil brasileiros, e a dificuldade que o País vem encontrando para adquirir vacinas em quantidade suficiente para imunizar a maior parte de sua população revela a necessidade de mais investimentos em biotecnologia. Nesse quesito, estamos muito atrasados e somos meros absorvedores ou compradores de produtos farmacológicos, enquanto outros países trilharam caminho oposto.

A China, por exemplo, se tornou não apenas um dos maiores desenvolvedores de biotecnologia do mundo, como também um dos maiores produtores. Atualmente os chineses investem cerca de 4% de seu PIB nessa área, e fornece insumos para a produção de medicamentos e também para uma das vacinas contra o coronavírus, a Coronavac, aplicada no Brasil. Enquanto isso, o Brasil tem apenas algumas iniciativas no setor público e no setor privado, mas não tem uma política industrial para a biotecnologia. Se quiser se transformar num produtor de vacinas e de produtos biotecnológicos, até mesmo para se preparar para futuras epidemias, é preciso que o País pense globalmente numa política industrial junto com a incorporação de estruturas produtivas. O Brasil sofre com o baixo investimento em ciência e tecnologia. Desde o auge em 2013, quando foram investidos R$ 9,3 bilhões, os recursos destinados a essas áreas vêm diminuindo progressivamente. Em 2019, o valor investido foi pouco mais de R$ 4 bilhões, o que ainda é bastante se comparado aos investimentos realizados em 2020 até o momento: R$ 2,7 bilhões, menos da metade dos R$ 5,7 bilhões previstos. As instituições federais de ensino, responsáveis pela maioria das pesquisas produzidas no País, também estão sofrendo ataques. Um levantamento feito pelo portal G1 apontou que os investimentos em infraestrutura nas universidades federais caiu 73% nos últimos dez anos. Embora a pandemia da Covid-19 tenha evidenciado a importância da ciência e das pesquisas, no Brasil ela ainda é vítima do descaso público. É preciso que os governos entendam que ciência não é gasto, é investimento de alto retorno.

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