Opinião
Dedo da disc�rdia
Um gesto obsceno, atitude que dispensa tradução, demonstrou seu poder. Um simples ?dedo? dado no lugar errado e na hora errada provou ser capaz de provocar uma crise diplomática. É assim mesmo e foi positivo que desencadeasse a reação que ocupou as manchetes de praticamente todos os veículos de mídia no Brasil. Seria o piloto americano um simples piadista? Se humorista, escolheu o público e palco errados para seu show. Como o macaco da piada, meteu o dedo em cumbuca e se deu mal. Pode-se discordar da ação de fichamento dos turistas americanos por inúmeras razões (que variam da pura subserviência ao reconhecimento da necessidade de se ampliar o número de turistas portadores de dólares), mas a Lei é para ser respeitada e o direito à reciprocidade deve ser reconhecido como princípio. A partir daí se discute e se manifesta sobre o caso. Insultar e debochar pode ser visto como formas de protesto e, para alguns, é sinal de desespero ou até de coragem se vindo dos mais fracos, dos oprimidos por forças muito superiores às suas. Insulto e deboche vindo dos mais fortes, dos mais poderosos, dos mais ricos é simplesmente tentativa de humilhação do outro, é pura arrogância, prepotência. O que aconteceria se um brasileiro fizesse um gesto obsceno frente às autoridades americanas ou inglesas num de seus portões de entrada tão paranoicamente vigiados e superpoliciados? A indignação da policial brasileira foi a indignação do Brasil frente à prepotência e ao desrespeito. A resposta foi imediata, firme e eficiente. É o caso de se sentir restaurado o amor-próprio atingido. E é um caso para se aprender e não para se jactar, para ser utilizado como exemplo de ampliação de um problema desnecessário, afinal não há justificativas para a inclusão do Brasil na lista dos considerados perigosos para os Estados Unidos. O caso, uma vez resolvido, deve servir para ajudar a eliminar e não potencializar a tensão gerada pela recíproca política de fichamento de turistas brasileiros nos Estados Unidos e vice-versa. Vamos nos dar as mãos e não esgrimir dedos.