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Opinião

Saudades

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INÊS CRISTINA ALENCAR DE ALBUQUERQUE LINS * Existem acontecimentos pequenos e grandes momentos que todos nós levaremos para o resto de nossas vidas. Talvez sejam poucos, quem sabe sejam muitos. Depende de como cada um vive a própria vida. No caso, o meu precioso irmão Flávio Humberto soube viver cada milésimo de segundo que Deus lhe concedeu. A maior dádiva, e quem sabe o maior dos seus erros, foi fazer amigos, não se importando com suas origens, de que classe social eles vinham, suas preferências, sua cor, religião ou qualquer outro conceito que dermos para nos diferenciamos uns dos outros. Se existisse alguém que sabia ser amigo, na essência da palavra, era ele. Não existia distância, tempo ou obstáculo que ele não transpusesse para satisfazer um pedido de quem ele conhecesse... como também era difícil dizer ?não? a qualquer de seus argumentos. Flávio foi uma daquelas pessoas que todos deveriam conhecer, generoso, amigo e carinhoso. Sempre foi o meu companheiro para tudo e para todos os momentos, tipo ?bombril? mesmo, mil e uma utilidades, seja para trocar o pneu que no meio da noite furou, seja para dizer uma palavra de alegria nas horas tristes. Hoje percorro minha casa, minha vida e vejo que ele está em cada espaço, em cada momento bom ou ruim, ele está em todo o meu dia. Hoje, quando olho no espelho não me reconheço, fico à procura de muita coisa... de mim mesma, e vejo que muito do que sou, aprendi com o meu precioso anjo ?Meu Irmão?. Sei que sempre teremos lembranças, momentos que são inesquecíveis para nós, coisas que nos marcarão, que mexerão com a nossa existência e que nem o tempo, a distância, a vida ou a morte irão apagar. Provavelmente, iremos pela vida afora levando esses momentos, e colocando em ordem de grandeza cada detalhe que nos foi importante, cada momento que interferiu nos nossos dias e que deixou marcas. Marcas, momentos, lembranças e conversas, algumas serão mais profundas, outras superficiais, porém todas com algum significado. Serão detalhes que guardaremos dentro de nós e que se contarmos para outros talvez não tenha a menor importância, pois só nós sabemos o quanto foi incrível vivê-los junto a ele. Poderá ser uma música, quem sabe um livro, talvez uma poesia, uma carta, um natal, uma viagem, uma frase que ele tenha nos dito num momento certo ou errado. Quem sabe um sorriso, um sol que compartilhamos juntos, uma vitória que foi alcançada após muita luta, pode ser simplesmente um instante, seu olhar, seu perfume, um beijo. Para o resto de minha vida levarei o meu irmão dentro de mim. E uma das razões é pelo carinho enorme que nos dedicamos um ao outro (dentre outras razões) porque ele sempre foi o objetivo do meu amor. Lá na frente é que poderei realmente lembrar dele sem doer tanto. Bem lá nafrente é que poderei avaliar do que exatamente foi feita a nossa jornada de vida. Se foi feita de amor, de alegrias, de vitórias ou de uma saudade que nunca acabará. Tento pensar sempre que hoje é só o começo de tudo. Que se houver algo errado, ainda está em tempo de ser mudado e que o resto de nossas vidas, de certa forma, ainda está em nossas mãos. Por enquanto, rezo e espero que o meu querido irmão tenha se transformado em anjo... para nos ajudarmos, a mim e a minha família, a trilhar esse novo caminho, essa nova vida que nos espera. (*) É A ÚNICA IRMÃ DE FLÁVIO HUMBERTO ALENCAR DE ALBUQUERQUE LINS, ASSASSINADO COVARDE E FRIAMENTE NO DIA 16 DE NOVEMBRO DESTE ANO, ÀS 19H30 COM TIROS NOS OLHOS E NO ROSTO.

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