Opinião
Sem soberba
MARCOS DAVI MELO * Levamos a nossa filha caçula no domingo passado para o Colégio Élio Lemos na Ponta Grossa, para a segunda fase do vestibular da Ufal. Embora ainda não fossem nem 13 horas, já existia uma multidão aguardando a abertura dos portões que só se fechariam às 14 horas. Ali, esperamos quase uma hora. Então pudemos observar a aflição e a angústia que acometiam vestibulandos e familiares. À esquerda, um rapaz sozinho e em pé consultava o relógio a cada dois, três minutos. Suas feições traiam a ansiedade que o dominava. À direita, duas mocinhas e uma senhora, sentadas no chão e unidas pelas mãos, repetiam orações em vozes altas e estertorosas. Estávamos naquele momento já em uma condição emocional bem mais confortável. Nossa filha tinha logrado aprovação no vestibular da Ecmal, resultado divulgado no dia anterior. Estava já com uma vaga assegurada para o curso superior em uma faculdade que tem evoluído bastante. Só alguns poucos dias depois soubemos que ela tinha sido a primeira colocada naquele vestibular, o que não ocorria com um alagoano há vários anos. É inegável que sentimos uma imensa alegria e orgulho de nossa filha. Todavia, na vida, as vitórias e conquistas devem ser vistas com equilíbrio e humildade. Os fracassos e derrotas com coragem e tenacidade para superá-las. Naturalmente a menina de 18 anos tem méritos: é disciplinada, estudiosa, inteligente e o que mais? Esperando sermos úteis para outros estudantes e pais, esclarecemos que a Milena perdeu o primeiro vestibular que fez, com 17 anos. Para o segundo, preparou-se mais: freqüentou um cursinho e, principalmente, teve aulas com alguns professores como o Róbson Melo da biologia, o Juliano Raposo da física, o Chico Potiguar da matemática e a professora Tereza Vasco, que a orientou no que acreditávamos ser uma das suas maiores deficiências, a língua portuguesa, limitação herdada do pai. A menina jamais se privou dos seus lazeres preferidos: o violão, a música, o cinema, as festinhas nos fins de semana, a ginástica, o namoro. A mãe sempre presente e diligente, cobrou na medida certa, sem pressões exageradas e o pai, apenas não atrapalhou, o que já foi o suficiente. Os que não conseguirem desta vez, não desesperem nem desistam, insistam, se esforcem e persistam. Este é apenas um pequeno grande passo para uma longa e árdua jornada. (*) É MÉDICO