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Opinião

Ano 2020

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RUYTER BARCELOS * Recentemente, previsões sombrias sobre o futuro da economia do País, reunidas em um estudo preparado pelo Conselho Nacional de Inteligência dos Estados Unidos, foram recebidas com descrédito e ironia pelos líderes da base governista. De acordo com o documento, daqui a 16 anos o Brasil não será muito diferente: continuará se considerando um fator de influência global sem sê-lo, ainda estará vulnerável à inflação, sua dívida permanecerá grande e não terá conseguido liderar a América do Sul. Na avaliação dos especialistas, até 2020 o governo brasileiro ainda estará tentando aprovar as reformas essenciais e o custo Brasil impedirá o País de sair do Terceiro Mundo, bem como não terá conseguido uma vaga no Conselho de Segurança da ONU. O relatório reúne análises de especialistas de 14 agências e tem por objetivo auxiliar o governo dos EUA a traçar sua política externa. Tal estudo não se trata de futurologia, mas sim de prospectiva, onde os analistas constatam os fatos que estão ocorrendo no corte temporal escolhido. No presente caso, a interrogação é: como está o momento atual brasileiro? É claro que muitos são os eventos estudados, mas apenas aqueles que são portadores de futuro merecerão um estudo mais acurado, isto porque são eles que, ocorrendo hoje, terão a capacidade de influenciar o futuro do Brasil. Neste contexto, como exemplo, o Brasil vinha sendo governado por um determinado partido político e seguia uma trajetória específica. A eleição do atual presidente da República fez chegar ao poder outro partido, com linha ideológica diametralmente oposta. Tal eleição é um fato portador de futuro à medida que pode modificar o País nos próximos anos, desde que medidas sejam implementadas, alterando a trajetória anterior. Com tais considerações, cenários são definidos: o melhor, o pior e o mais provável. Caso um fato portador de futuro comece a ganhar força devido a uma conjunção de fatores, o País caminhará para o cenário considerado. Da mesma forma, o presente estudo poderá ser utilizado para, mediante simulações, saber o que deve ser feito hoje para retirar o País da trajetória não desejada. Assim, é possível saber, com relativa antecedência, qual o futuro de uma nação. Pode-se concluir que o estudo é sério e útil, desde que feito por especialistas no assunto. Retornando ao estudo americano, é fundamental ser realista e é evidente que o leitor conhece as atuais dificuldades brasileiras, bem como a luta do País, há vários anos, para erradicar os graves problemas econômicos e sociais que hoje penalizam parcela significativa da sociedade. Em termos econômicos, a questão é: como alterar, significativamente, em curto prazo, os fatores de produção ? capital, terra, trabalho (mão-de-obra) ? a ponto de modificar o horizonte brasileiro? A maior necessidade gira em torno do capital, pois os outros fatores o Brasil possui em abundância. Então, é preciso gerar riqueza. Internamente, o País carece de investimentos para retomar o crescimento e os recursos orçamentários são insuficientes. Externamente, o Brasil só detém 0,89% do comércio internacional. Hoje, diante de condições tão adversas, o estudo americano está correto. Por outro lado, para reverter o cenário atual, o caminho é longo e árduo, requer dedicação, trabalho, um tempo maior que quinze anos e, dentro da abordagem acima, com certeza, o governo federal já sabe que o Brasil só alterará seu futuro se investir maciçamente em educação. (*) É OFICIAL DA RESERVA DO EXÉRCITO BRASILEIRO E-MAIL: [email protected]

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