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Opinião

O patriarca Julio Vieira

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JOSÉ MEDEIROS * Idoso e velho são palavras sinônimas? Têm a mesma significação e sentido? Quem consulta o Mestre Aurélio encontra descrição sumária para a palavra idoso: ?aquele que tem bastante idade, velho?. Já o vocábulo velho merece melhor atenção, definido como ?muito idoso, que tem muito tempo de existência?. Para o termo (velho) o dicionário traz algumas outras referências, inclusive o emprego, na intimidade familiar, de ?meu velho?, ?meu velho pai?, ?ânimo, meu velho?! Atualmente, a palavra idoso está institucionalizada nos textos oficiais. Velho ou idoso, não importa. O amor que dedicamos aos nossos mais velhos não deve ter limites de classificação ou de anos vividos. De acordo com previsões de órgãos especializados, o Brasil poderá ter 16 milhões de idosos, em 2015, o que representará fração ponderável de sua população. O Estatuto do Idoso demorou tanto tempo em sua tramitação legislativa, que já nasceu de cabelos grisalhos, e se, por um lado representa avanços significativos, por outro, é carente em relação a direitos fundamentais das pessoas com mais de 65 anos de idade. Um dos fatos marcantes deste alucinante século XXI é, sem dúvida, o número de pessoas razoavelmente saudáveis na faixa etária de 80 a 100 anos. Aprenderam a se cuidar. Envelhecer com qualidade de vida e com saúde, já não é mais privilégio de poucos, é cada vez mais uma regra para a maioria. Mario Lago ? uma das minhas admirações literárias - costumava dizer: ?Tenho amor à vida, não sou aquele velho que diz: Ah, no meu tempo! Meu tempo é hoje. Eu vou seguindo. Não fico sentado à beira da estrada vendo o desfile passar. Vou junto com o desfile?. Recentemente, participei do aniversário de 100 anos do patriarca palmarino Júlio Vieira. Continua lúcido, cordial e perspicaz. Postei-me em muda admiração. Perguntei a Benedita, sua filha, qual era o número dos descendentes dele. A resposta foi incomum: 10 filhos, 24 netos, 27 bisnetos e 6 trinetos (o povo os chama de tataranetos). Ali estavam presentes gerações que se reuniam para homenagear o patriarca. Como é impossível referir-me à tamanha descendência, resta-me agradecer a Geraldo Vergetti e Aleir, a Paulino Vergetti Netto e Kátia, pelo convite. Quais as razões para que se viva 100 anos? Os parentes tentaram responder a essa complexa pergunta, numa das molduras da festa: ?ter amigos, ter fé em Deus, muita paz de espírito e uma família unida e amada?. Viver no campo é outra chave desse sucesso. Quem tem em torno de si quatro gerações familiares tem o mundo, tem alegrias incontidas, tem a construção de momentos felizes como os que foram vividos. Na festa, escutamos, com emoção, o versinho da popular canção: ?Meu querido, meu velho, meu amigo!? Viver 100 anos não é mais uma fantasia irrealizável! (*) É MÉDICO E EX-SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO E DE SAÚDE

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