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Opinião

Parnamirim jovem

DOM EDVALDO G. AMARAL SDB * Foi ali que há sessenta anos, numa noite de julho de 1944, tomei um avião pela primeira vez – uma aeronave da PAA - naturalmente a motor de hélice. Via passarem os aviões dos aliados, carregados de bombas, rumo à África, da

Por | Edição do dia 23/01/2004 - Matéria atualizada em 23/01/2004 às 00h00

DOM EDVALDO G. AMARAL SDB * Foi ali que há sessenta anos, numa noite de julho de 1944, tomei um avião pela primeira vez – uma aeronave da PAA - naturalmente a motor de hélice. Via passarem os aviões dos aliados, carregados de bombas, rumo à África, daquele famoso aeroporto, que no final da sangrenta guerra mundial, o general Dwight Eisenhower com euforia chamaria de “trampolim da vitória”. Foi ali, na vizinha Natal, que trinta e um anos depois, após ter sido diretor do Colégio Salesiano São José por três anos, fui ordenado bispo auxiliar de Aracaju, pelo meu arcebispo, dom Luciano José Cabral Duarte. Solene cerimônia, preparada com muito carinho pastoral pelo grande bispo da Juventude, dom Antonio Soares Costa. Foi para esta Parnamirim, região metropolitana de Natal (Rio G. do Norte), que acorreram nos dias 14 a 18 de janeiro p.p. 3.800 jovens de todo o Brasil, do Amazonas a Santa Catarina, para o II Congresso Nacional da Juventude do Meio Popular, celebrando seus vinte e cinco anos de vida, fundada que foi no Recife em 1978, sob os auspícios de dom Hélder Câmara. Os três arcebispos de Natal marcaram breve presença. dom Nivaldo Monte, arcebispo emérito, com seus brilhantes 86 anos, esteve ligeiramente presente. O atual, dom Heitor de Araújo Sales e o novo, que assumirá em breve, dom Matias Patrício de Macedo, dirigiram aos jovens breves palavras de incentivo e estímulo em sua caminhada eclesial. Estiveram presentes, ainda, acompanhando todos os atos do Congresso até o sábado, o bispo responsável da Juventude do Brasil, dom José Mauro, bispo de Janaúba, MG, e dom Edvaldo, bispo referencial da Juventude no Nordeste 2, com o coordenador da Pastoral da Juventude no Nordeste, padre Antonio Gomes de Medeiros, salesiano. Da França, veio o padre Gildo Gelly, da Diocese de Saint Denis, e de Manaus chegou o padre Alberto Panichella, que ambos acompanharam os primeiros passos da PJMP no Recife de 1978. Estiveram ainda com os jovens a Irmã Angela Falchetto, salesiana, da Pastoral da Juventude da CNBB nacional, e Cristina, secretária nacional da PJMP. O vigário de Parnamirim, padre Murilo Paiva, da assessoria nacional da PJMP, foi o organizador e a alma da realização deste vitorioso congresso, que por cinco dias tornou Parnamirim realmente jovem. A caminhada de abertura, saindo do Centro de Pastoral teve quatro paradas de reflexão, relembrando quatro momentos fortes da história da PJMP. Duas mesas-redondas sobre Religiosidade Popular e sobre o Mundo do Trabalho foram momentos coletivos de estudo e reflexão. Várias oficinas fizeram os jovens refletir em pequenos grupos, com seriedade e profundeza, temas de especial interesse da juventude, como ecumenismo, ecologia, religiosidade popular, compromisso com o social e o político, etnias, cultura e expressões juvenis e outros. O cantor cristão Zé Vicente, do Ceará, deu a nota ao mesmo tempo de mística e oração e de música popular, que agradou imensamente aquela massa juvenil, com uma vigília de preces e dois shows. A romaria de encerramento partiu, na noite do sábado 17, de S. Gonçalo do Amarante para o Monumento dos protomártires norte-riograndenses, em Uruaçu, onde chegou na manhã do domingo, quando fechou com chave de ouro a bela demonstração da pujança juvenil por Jesus Cristo e pela Igreja. Concluo com um pensamento inspirado em artigo da imprensa naqueles dias. O trabalho pastoral com a juventude requer revisão no jeito de agir. Um número cada vez maior de jovens é atraído por outros valores da cultura contemporânea, que não os valores do espírito. A Igreja tem que manter sua identidade cristã e religiosa, ao mesmo tempo em que é desafiada a evangelizar dentro das novas linguagens e condições sociais do mundo juvenil. Precisamos de respostas pastorais eficazes no complexo contexto do mundo urbano desta sociedade pós-moderna. Ainda há muito caminho a ser percorrido neste trajeto... (*) ARCEBISPO EM. DE MACEIÓ

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