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Nº 5716
Opinião

Morte e vida

DOM EDVALDO AMARAL (*) O nosso mundo é cheio de túmulos. São os túmulos de nossos entes queridos, nossos pais, irmãos, amigos, colegas, benfeitores. São os túmulos dos que nos “precederam na eternidade”, como diz a liturgia católica. Quando chegamos a um

Por | Edição do dia 07/04/2002 - Matéria atualizada em 07/04/2002 às 00h00

DOM EDVALDO AMARAL (*) O nosso mundo é cheio de túmulos. São os túmulos de nossos entes queridos, nossos pais, irmãos, amigos, colegas, benfeitores. São os túmulos dos que nos “precederam na eternidade”, como diz a liturgia católica. Quando chegamos a uma certa idade, o que mais nos atinge é o progressivo isolamento de nossa geração. Vão nos deixando os que conosco lutaram, sofreram e venceram, partilharam de nossas angústias e dores. Há ainda, neste nosso mundo, os vários túmulos simbólicos. Com outros sentidos. Túmulo quer dizer onde se fica após a morte. E há o túmulo do egoísmo – dos fechados em si mesmos, isolado dos outros. Há o túmulo do prazer, da licenciosidade, da permissividade, que leva à morte do pecado. E eis que celebramos nesta semana a ressurreição de Cristo. E Ele é a Ressurreição e a Vida. A liturgia do Domingo de Páscoa insiste no símbolo do túmulo vazio, o túmulo glorioso de Cristo. As santas mulheres, na manhã do Domingo, daquele 1º dia da semana, daquele 1º dia do novo tempo, o tempo de Cristo, foram ao seu túmulo. Isto é, foram à região da morte. Foram homenagear um morto com lágrimas e perfumes. Mas o túmulo estava vazio. Não havia ali morto algum. Ele, o Senhor, com sua morte ignominiosa na Cruz, vencera o pecado. E agora, com sua gloriosa Ressurreição vencia a Morte. Ele é o Vivo, é o Deus vivente. Então, as mulheres, as primeiras testemunhas de sua ressurreição, as primeiras que atestaram a sua vitória, adoraram alegres o Senhor da Vida e anunciaram aos seus discípulos e ao mundo: Jesus é o vivo! O mundo está morto. Este nosso mundo, fundado na mentira e na dissimulação, procura enganar a morte com flores vivas, coroas mortas e perfumes enganadores. Há até maquiagem para dissimular o aspecto cadavérico do defunto... Mas nós anunciamos a Vida. A vida nova no Senhor Jesus, o Senhor Ressuscitado. Anunciamos Aquele que destruiu para nós o pecado, a morte e o inferno. Cantamos na Páscoa o Sol invicto. Ele nos assegura a vida, se seguirmos as suas pegadas. Ele nos garante a vida, mas a vida sem fim. Em sua ressurreição gloriosa, mais uma vez, Ele nos diz: “Eu vim para que tenham a vida e a tenham em abundância. Queremos buscar esta vida plena no Senhor Jesus, esta vida nova, liberta do pecado e do mal, que o Senhor nos traz em sua Páscoa. Vamos começar um tempo novo na liturgia e na vida. Vamos viver a renovação pascal. Em nossa vida particular, em nossa família, em nossa sociedade, em nosso País. Vamos buscar o Novo, o homem velho é o homem do pecado, o homem novo é o homem renascido em Cristo. Que esta Páscoa signifique algo de mudança para nossa vida de cada dia. (*) É ARCEBISPO DE MACEIÓ

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