Opinião
Apelo de ver�o
MARCOS DAVI MELO * Enquanto as chuvas tomavam conta de todo o Estado, a vida não parava. Nem mesmo os turistas que voltaram a procurar Maceió neste verão, embora se privassem de nossas praias, deixaram de elogiar as nossas belezas naturais. Está sendo uma temporada revigorante (depois de anos de estagnação) para uma das opções de desenvolvimento e renda que mais criaram expectativas entre nós. Todos ficamos felizes com a presença de visitantes em nossa terra. Não só por nos deixarem algum vil metal que tanto nos faz falta, como simplesmente por poderem conhecer e reconhecer as nossas boas coisas. Existe motivo para otimismo neste setor, mas não para deslumbramento inconseqüente. Como muito bem discorreu um executivo internacional do setor turístico em recente entrevista dada à GAZETA DE ALAGOAS, o turista internacional, aquelemelhor aquinhoado cultural e materialmente, procura algo mais que praias e paisagens. Procura história, cultura e gastronomia sofisticadas. Ofertas que nós temos em forma bruta, em quantidade, qualidade e que estão ainda hibernando, necessitando um melhor aproveitamento no momento ou lugar certo para cativar o turista. Existe um projeto do professor Radjalma Cavalcante que visa à revitalização das nossas ricas tradições ? a Chegança, o Reisado, o Guerreiro, o Pastoril ? justamente no período natalino, uma época onde não existe supremacia de outros centros concorrentes. Provavelmente, existam possibilidades de aproveitá-lo, adequando-o a estas expectativas do turista culturalmente mais exigente. Se estamos evoluindo neste setor, outro não menos importante, o da Saúde, não tem oferecido as melhorias que a população e os profissionais da área tanto anseiam, principalmente para os usuários do SUS, que necessitam assistência ambulatorial e hospitalar de qualidade, que está disponível entre nós, mas que se torna inviável diante da falta de financiamento. Assim, em Alagoas, entre outras situações dramáticas, formam-se filas de mais de 140 pacientes para colocar marcapasso cardíaco, muitos estão morrendo antes de serem atendidos, mais de 100 esperando cirurgia de câncer, muitos estão se tornando inoperáveis; os tratamentos de quimioterapia estão sendo retardados em três meses ou mais, por falta de recursos para custeá-los e os pacientes perdem a chance de cura. Equipamentos médicos imprescindíveis sucateiam nos principais hospitais do Estado e não se pode renová-los. Enquanto a revitalização do turismo no Estado anima e repassa benefícios a todos os envolvidos no setor, as restrições ao acesso de usuários do SUS aos procedimentos médicos de ponta, só prejudica e penaliza os usuários de baixa renda, aumentando a odiosa discriminação no atendimento médico entre remediados e carentes. Neste cenário de desigualdade no desenvolvimento, nós, profissionais da área de saúde, nos sentimos angustiados e frustrados, pois poderíamos atender mais pessoas realmente necessitadas e salvá-las, com medicina de boa e igual qualidade para ricos e pobres. Todavia, somos restringidos pela falta de recursos. Que as autoridades nos ajudem a fazer o nosso trabalho, é o apelo. (*) É MÉDICO