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Emprego, juros e infla��o

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A Fundação Getúlio Vargas divulgou o Índice Geral de Preços relativo a outubro de 2003. Foi registrado um crescimento de 0,76%, contra 0,59% no levantamento anterior. Depois de setembro do ano passado (taxa de 0,95%), esta é a maior elevação registrada). A alta é resultado da pressão de produtos e serviços que sazonalmente têm seus preços elevados nesta época do ano: alimentos, recreação, lazer e, principalmente, educação. Em todos os índices que medem a inflação, este último aparece como sendo o de maior reajuste. No comunicado do Banco Central, no qual é justificada a manutenção da Taxa Selic em 16,5% ao ano, é dito que o ?Comitê de Política Monetária (Copom) resolveu interromper temporariamente o processo de flexibilização da política monetária com o intuito de preservar as recentes conquistas no combate à inflação e no processo de retomada da atividade econômica?. Então é isso: o BC sinaliza que existe perigo de descontrole inflacionário e que os diversos índices que medem a inflação (todos apresentando alta) estão refletindo uma tendência geral e não elevações sazonais. Como a meta de inflação para 2004 é muito baixa (5,5%), qualquer suspiro da inflação põe em pânico o BC. No entanto, não existe nenhum indício consistente que aponte para uma recomposição no nível de emprego nem da renda dos trabalhadores, fatores sempre indicados como suspeitos de provocar inflação (chamada inflação de demanda e que justificaria a manutenção de elevada taxa básica de juros). Os dois últimos levantamentos divulgados esta semana pelo Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) não corroboram esse temor. A Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário de novembro apontou ligeiro crescimento nos postos de trabalho (0,1%), em relação ao mês anterior. Em compensação, com relação a novembro do ano passado, queda de 1,4% e no acumulado do ano -0,6%. Outro levantamento, a Pesquisa Mensal de Emprego apontou evidências, segundo o IBGE, sobre a manutenção do ?comportamento sazonal típico desta época do ano?. Em 2003, o desemprego atingiu o índice de 12,3%. Manter os juros nas alturas para conter uma ?inflação de demanda?, num cenário destes, é pura ficção e pode terminar por colocar o país numa camisa-de-força, num beco sem saída.

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