Opinião
Centen�rio
DOM JOSÉ CARLOS MELO,CM * No ano de 2002, a Arquidiocese de Maceió, jubilosamente, celebrou o centenário de criação do nosso querido seminário, que teve início na cidade histórica de Marechal Deodoro, então capital do Estado de Alagoas, dois anos após a criação da Diocese. No decorrer do ano, várias solenidades marcaram este evento. Neste 2004, agradecemos a Deus pelo centenário de construção e inauguração do novo prédio, com a transferência para o alto do Morro Jacutinga, como era conhecido por todos. Devemos a construção do seminário ao heróico zelo e dinamismo pastoral do nosso primeiro bispo, dom Antônio Manoel de Castilho Brandão, que tinha como preocupação prioritária em sua ação pastoral e evangelizadora a formação de novos padres. Construiu o Seminário de Nossa Senhora da Assunção, sacrificando comodidades, economias, não revelando jamais quanto gastou, não deixando débitos também. Quem bem expressou a coragem desse grande pastor, com um discurso no Instituto Histórico, por ocasião do centenário do seu nascimento, foi o saudoso padre Júlio Maria de Albuquerque: ?Fê-lo as suas próprias custas, doando à Diocese um prédio moderno, confortável, típico, sólido, onde cada dia se vão implumando aves novas, de altos remígios, para levar como a pomba do Gênesis, pelos céus e campos do mundo, a paz de Cristo, no Reino de Cristo?. E, depois completou o saudoso dom Ranulfo da Silva Farias: ?Dom Antônio Brandão foi um benfeitor do Bispado, cuja memória será cultuada com admiração, respeito e gratidão dos pósteros?. O Concílio Vaticano II afirma: ?O Seminário é o Coração de uma Diocese?, por esse motivo, nós acreditamos nesta causa e procuramos investir o máximo na formação sacerdotal, rogando ao Senhor que envie operários para sua messe: ?Pois a messe é grande e poucos são os operários?. Muitos sacerdotes que honram e dignificam o nosso clero e pessoas ilustres da sociedade alagoana passaram por esta casa. Hoje, o seminário é Provincial, atendendo às dioceses de Maceió, Penedo e Palmeira dos Índios, que integram a Província Eclesiástica, e também acolhendo os candidatos da Diocese de Petrolina, no Estado de Pernambuco. Em sua trajetória, durante este século de atividades na formação presbiterial, neste solo de heróis, somos convidados a celebrar com gratidão tudo o que o seminário é e representa para a Igreja. E, neste ano centenário, com satisfação e alegria contaremos com um número expressivo de 98 seminaristas. Modestamente falando, sinto-me honrado por liderar em meu governo pastoral a reforma e reorganização do seminário, dedicando-me com amor a esta causa que é a razão primeira de minha vocação sacerdotal, quando ainda adolescente ingressei na Congregação da Missão e via no exemplo de vida do meu Pai fundador São Vicente de Paulo e seus filhos espirituais o empenho e a solicitude na formação dos futuros sacerdotes para melhor servirem ao povo de Deus, de um modo todo especial, aos pobres por Ele tão queridos. Assumo também esta causa sob a bandeira luminosa do imortal dom Antônio Brandão. Alegremente, desejo celebrar com meu querido rebanho da arquidiocese este centenário, consciente de que o barco está sendo conduzido, pois, enquanto seguramos o leme, Jesus está a remar. Se muito temos a melhorar, a caminhada tem sido proveitosa e por esse motivo eu peço insistentemente ao Clero e a todos os fiéis, que assumam comigo esta causa nobre que não é minha, mas, nossa como Igreja de Deus que está em Maceió. (*) É ARCEBISPO METROPOLITANO DE MACEIÓ