Opinião
Fome de emprego
Em 2003, a taxa média de desemprego no Brasil foi de 12,3%, segundo pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em comparação com dezembro de 2002, há um crescimento, visto que a taxa de desocupação brasileira havia sido de 10,5%. A média do último ano do governo de Fernando Henrique Cardoso (entre janeiro e dezembro) foi de 11,7%. O primeiro ano do governo Lula, segundo esses números, registrou um aumento do problema em menos de um ponto. Ainda segundo o IBGE, as mulheres estão mais desempregadas que os homens. 54,4% do exército de 2,3 milhões sem-emprego são do sexo feminino. Os dados colhidos pelo IBGE confiram tendências internacionais. Os números coletados em pesquisas da Organização Internacional do Trabalho (OIT) apresentam, também, as mulheres como maioria entre os desempregados da América Latina. A OIT baseou-se no gigantismo brasileiro para esclarecer o tamanho do problema, ?o mundo tem um Brasil de desempregados?. As contas da Organização Internacional do Trabalho são assustadoras, indicando 185,9 milhões de seres sem emprego em 2003 (o Brasil possui 178 milhões de habitantes). A taxa de desemprego mundial, no ano passado, ficou em 6,2% (quase metade da praticada no Brasil). Como base para essa pesquisa internacional, são usados dados oficiais enviados pelos governos de cerca de 180 países, o que gera desconfianças de que o problema possa vir ser bem maior em todo o mundo. Na verdade, mesmo no Brasil, com todos os dados confirmados, o desemprego parece ser bem maior que os 12% encontrados. Isso pode ser o resultado da forte impressão causada pela proximidade com essa tragédia, afinal estamos num país onde todas as famílias passam por esse drama e praticamente toda pessoa que tem trabalho conhece de perto mais de uma que não tem (e muito mais de uma, na maioria dos casos). 12% parece muito pequeno para o tamanho da dor e do desespero sentido em todas as cidades desse nosso Brasil. Não é momento de um verdadeiro programa ?Desemprego Zero??