Opinião
Mitos perigosos
Vive cheio de mitos esse nosso mundo contemporâneo. O corpo e a saúde têm sido alvo de vários dessa mitologia da época da informática. Malhar, em determinadas circunstâncias, tem sido um desses mitos. Confunde-se saúde, condicionamento físico, com valores estéticos e até a fantasia da invulnerabilidade entra nessa visão fantasiosa. Na malhação estaria a fórmula de todos os males. As repentinas mortes de dois atletas em exercício de suas profissões chocaram o mundo e despertam atenções para esses mitos. Dois jovens jogadores de futebol morreram em campo. Em tempos de mídia globalizada, suas mortes dramáticas foram transmitidas ao vivo e repetidas em cenas tocantes por infinitas vezes. A mais recente, ocorreu no domingo passado, quando um provável colapso cardíaco fulminou o jovem húngaro Mikos Fehér, 24 anos, jogador do Benfica (Portugal) no meio da partida. Além do chocante da morte de um jovem atleta, de bem com a vida e com a saúde, milhões se assustam com a possibilidade de a morte não dispensar quem está aparentemente em forma, quem malha com dedicação. Confunde-se aí saúde com condicionamento físico, conteúdo com aparência e, principalmente, se exercita o mito de que possam existir invulnerabilidades para a morte. Ninguém é invulnerável, por mais bem preparado que esteja. Cuidar da saúde, condicionar o físico é fundamental para se viver melhor. É uma obrigação de qualquer pessoa em qualquer idade. Quem está bem condicionado fisicamente, resiste mais, vive melhor. Mas não está dispensado de cuidados com a saúde. O culto ao corpo tem muitos elementos positivos, mas tem gerado ilusões, inclusive com derivações para as perigosas ?ajudas? dos anabolizantes e outros ?turbinadores?. Essas tragédias transmitidas ao vivo devem alertar todos sobre a necessidade de se tratar da saúde com redobrados cuidados, nunca se esquecendo que a aparência pode ser enganadora. Num mundo onde a guerra continua ceifando vidas, deve-se ao menos resguardar a saúde dos mitos e modas.