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Opinião

Um s�mbolo da folia

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LUIZ GONZAGA BARROSO FILHO * A criatividade, a irreverência e a sátira foram as principais características do ?44 Espada D?Água?, uma confraria surgida em meados da década de 30, numa mesa de bar, em Maceió, sem a pretensão de se tornar típica de carnaval, mas que, por muitos anos, teve uma participação marcante nas folias de Momo e na vida boêmia da cidade. Como toda organização que se preza, o ?44 Espada D?Água? possuía seu ?regimento interno?, inspirado nos regimentos das corporações militares, usava a linguagem própria das casernas e observava a hierarquia dos postos. Assim, para ?sentar praça? (ser admitido) no ?batalhão?, um requisito era indispensável: o novo integrante tinha que ser bom de copo e, dependendo do seu desempenho nas ?ações bélicas? (farras), ele era ?promovido por ato de bravura?. Os jargões usados pelos soldados nos quartéis, como se vê, eram utilizados pelos componentes do ?44?, apresentando conotações sempre associadas à bebida ou ao hábito de beber, exemplificados por expressões como: ?depósito das armas? (bar), ?combate de arma branca?(beber cachaça), ?atirar com bala de festim? (beber cerveja), ?entrar de serviço?(embriagar-se), além de outras, demonstrando a singularidade do grupo, que adquiriu a simpatia e o respeito da comunidade maceioense, especialmente devido à atuação intensa nos carnavais de rua e de salão, destacando-se pela forma ordeira de brincar. Responsável pela manutenção do famoso bloco ?Vou Botar Fora?, o ?44 Espada D?Água? foi o pioneiro dos desfiles de homens fantasiados de mulher no carnaval de Maceió e, com essa caracterização, formava uma das suas alas, denominada ?As Onze Mil Virgens?. A esse respeito, o médico e escritor Ednor Bittencourt, no seu livro ?Corrupio?, assinala: ?O popular ?Vou Botar Fora? fugia à regra... Era o mais querido de todos eles e saía da rua do Sopapo, arrastando uma massa humana composta de todas as classes sociais. Seu satélite, ?As Onze Mil Virgens?, bloco do ?44 Espada D?Água? o acompanhava, mostrando, paradoxalmente, seus figurantes vestidos de mulher grávida?. Os membros mais graduados do ?44 Espada D?Água? foram os ?generais? Luiz Falcão (comandante-chefe da cavalaria a pé); Aloísio Esteves; o ?tenente-coronel? Paulo Peixoto; os ?majores? Olímpio Ferreira Passos, Eduardo Cerqueira (?Cebolinha?), Aloísio Dias e Edgar Ramos; os ?capitães? Moacir Miranda, Humberto Rosa e Silva e Cláudius Jucá; os ?tenentes? Adílio Correia Lima, Bercelino Maia, Antonio Costa, Antonio Amâncio, Jacino Amorim, Própicio Sousa e Mário Feijó. Além desses, integravam as fileiras do ?batalhão?, o jornalista Paulo de Castro Silveira, os radialistas Aldemar Paiva, Odete Pacheco a única mulher do grupo - e o maestro ?Passinha?,que comandava a orquestra do ?Vou Botar Fora?. Apesar de a letra do seu hino dizer que no ?44 tem general, só não tem governador?, a troça contava com o apoio dos governadores da época e até era recebida em Palácio. Outras autoridades e figuras de prestígio em Alagoas, eram fãs do ?44 Espada D?Água?, contribuindo efetivamente para o seu sucesso, conforme fazia o industrial e comendador Gustavo Paiva, que patrocinava o fardamento (túnica e quepe) da ?tropa?. Também o general Mário de Carvalho Lima, comandante do antigo 20º Batalhão de Caçadores, era um admirador do comportamento da rapaziada e, sempre que era solicitado, nunca lhe negou apoio. Já o procurador da República Góis Ribeiro, mesmo à época em que foi secretário de Segurança, não abandonou o ?44?, sendo um de seus mais destacados ?oficiais?. Desativado desde a década de 60, o ?44 Espada D?Água? é considerado um símbolo do carnaval alagoano e os poucos remanescentes do ?valoroso batalhão?, hoje, estão na ?reserva?. (*) É MEMBRO DA COMISSÃO ALAGOANA DE FOLCLORE

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