Opinião
Pedro Henrique, meu neto
TEOMIRTES DE BARROS MALTA * Ouvia minhas amigas falarem com entusiasmo de seus netos e, confesso, sentia uma pontinha de tristeza por não ter sido ainda avó. Mas nasceu Pedro Henrique, de minha filha Luciana e do marido, Sérgio Cerqueira. Um bebê tranqüilo. Olhando-o, essa paz mexe comigo, pois há muito não via de um ser humano transbordar tanta quietude. Ele nasceu no mesmo dia em que o menino Deus veio ao mundo, no último 25 de dezembro. Às vezes penso: Em que país e em que mundo ele irá viver? Conviverá com os nossos mesmos problemas? A luta insana pelo poder, a miséria humana, a injustiça, a corrupção, a escravização dos fracos pelos mais fortes, as guerras inúteis, a grande injustiça que reina? Enfim, o mesmismo repetitivo? É pena ter de misturar o assunto do nascimento de meu neto com tudo isso. Mas a vida não deixa de ser uma mistura de coisas! Seus pais não poderão protegê-lo por toda a vida. Aos poucos ele terá de enfrentar o seu mundo. Certamente, com os valores que receberá em seu lar, saberá escolher o bem acima do mal. Creio que isso lhe será possível, pois confio no amor que seus pais lhe dedicarão, como confiei no que dediquei aos meus filhos. Mesmo que todas as mudanças que venham ocorrer, todas as novas descobertas e conflitos possam mudar o mundo, o essencial é que esse sentimento que ele já conhece a partir do momento em que foi fecundado, com certeza, fará com que seja um ser humano por inteiro, digno e forte. Assim espero. Mas gostaria que o viver para ele pudesse ocorrer num mundo melhor, pois na escala de valores, o ótimo seria impossível. A Utopia de Platão é impraticável no mundo de hoje. O mundo ideal criado por esse filósofo fica somente no sonho. O bem absoluto está apenas no imaginário. Meu neto terá de conviver contextualizado com a paisagem humana do seu momento, mesmo que isso, às vezes, não o agrade. Queria que ele conservasse as coisas boas da vida, como a verdadeira amizade. Que soubesse sentir a beleza da natureza e da música e pudesse admirar o nascer e o pôr-do-sol, consciente de que mesmo num final das coisas, há sempre um renascer. Eu mesma me pergunto: Como serei a partir de agora como avó? Hoje em dia, diante do quadro que se apresenta, o papel deavó é muito mais abrangente do que antes, que se dizia ser ?mãe com açúcar.? Ser avó é aprender. Há um outro mundo em frente dela e seria interessante poder compartilhar dele. Os avós, tios e padrinhos não cabem em si de contentes com a sua chegada. Certamente ele significa uma continuação, uma renovação de vida. Por enquanto, o bebê só quer mamar e dormir. Às vezes, olha o ambiente em volta, muito sério, e retorna para o seu próprio mundo. Parece fazer parceria com aquela musica da Luca: ?tô nem aí, tô nem aí?. (*) é membro DA ACADEMIA ALAGOANA DE LETRAS