Opinião
Cenas indesej�veis
Em destaque na primeira página da GAZETA DE ALAGOAS de ontem, uma foto explicava mais que muitas palavras. Perdia-se de vista o fim da fila, formada por pretendentes vagas para seus filhos e/ou dependentes numa das escolas da rede pública. A legenda acrescentava mais informações. A fila quilométrica havia sido formada ainda pela madrugada, antes do sol raiar, e o alvo do esforço era o acesso às vagas da Escola Estadual Benedita de Castro. Localizada no Clima Bom (Tabuleiro do Martins), aquele estabelecimento escolar reunia as derradeiras esperanças daquela população. Todas as outras unidades de ensino mais próximas já haviam encerrado as suas inscrições. E muitos ficaram de fora. A tensão foi tal que a Polícia Militar teve que ser chamada para intervir, evitando tumultos e organizando a fila. A força policial, já tão requisitada para dar combate a marginais que atuam em toda a cidade, foi sobrecarregada para evitar conflitos entre pessoas de bem, pais e mães de família que já suportavam o peso de um drama de primeira ordem: o risco de ver seus filhos fora da escola. O problema do ensino público no Brasil é de grande monta. Fica a nítida impressão de que existe algo errado com as pesquisas, que nos últimos anos apontam, em todo o território nacional, um ?avanço? neste campo. No governo passado, chegou-se a propagandear uma campanha publicitária onde os governantes se jactavam: ?Toda criança na escola?. Muitos acreditavam que tal absurdo poderia ter sido espalhado como uma pré-campanha do então ministro da Educação, que almejaria, na época, ser candidato à presidência. A candidatura não aconteceu, a publicidade enganosa saiu de cartaz. Mas deixou o sabor da manipulação política dessa questão, pois nunca (nem no governo passado ou nesse) ?todas as crianças? estiveram na escola. Neste governo, o Ministério mudou de titular já no começo do segundo ano (e o que saiu, o fez reclamando por verbas). Resta cobrar para que cenas como a retratada na edição de ontem deixem de existir, e que cada criança ? realmente ? tenha direito à escola.