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Riscos e juros

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Duas notícias sem nenhuma relação entre si provocaram um abalo na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa): a divulgação da ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que balizou a manutenção da taxa básica de juros em 16,5% ao ano; e o comunicado do Federal Reserve (o banco central americano), sinalizando que os juros naquele país (hoje em 1%) poderão subir nos próximos meses. A ata do Copom é uma pérola do pensamento ortodoxo em vigor, e diz um dos seus trechos: ?O Copom pesou o risco de prosseguir com a flexibilização da política monetária e, caso a inflação venha a se desviar da trajetória das metas, ter de mudar a política no médio prazo, com fortes movimentos na taxa de juros e impactos significativos sobre a atividade, contra um risco, considerado bastante baixo, de causar danos palpáveis ao processo de recuperação da economia?. Quais os principais riscos vistos pelo BC? A elevação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em dezembro (alta de 0,52%), contra 0,34% em novembro, provocada por aumentos dos índices de alimentos, educação e em outros não nominados. E, principalmente, uma sondagem da Fundação Getúlio Vargas que indicou intenção dos empresários de reajustar os preços dos seus produtos. A ampla maioria dos analistas acredita que os aumentos verificados são sazonais e que não existem condições objetivas (desemprego e queda de renda recordes) para um aumento generalizado de preços. A outra notícia que provocou abalo na Bovespa e aumentou o risco-país dos 19 países emergentes, inclusive o Brasil (alta de 9%), foi a possibilidade de aumento pelo FED, da taxa básica de juros dos Estados Unidos. Ela é reveladora da fragilidade externa brasileira, dependente de capital especulativo de curto prazo, que flui para cá pelos altos juros, mas corre mais riscos, e que podem migrar para títulos americanos se os juros forem mais atraentes, pois os perigos são bem menores. Resumindo, continuamos sob a ditadura dos riscos financeiros e ainda longe das possibilidades do ?espetáculo de crescimento?.

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