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Nº 5710
Opinião

RECORDE INDESEJADO

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Por Editorial | Edição do dia 19/11/2019 - Matéria atualizada em 19/11/2019 às 06h00

Entre agosto de 2018 e julho de 2019 o Brasil bateu o recorde do desmatamento na Amazônia desta década. Segundo o sistema de monitoramento Prodes, que oferece o dado mais preciso, consolidado e com nível de confiança superior a 95%, foram destruídos 9.762 km², um aumento de 29,5% em comparação com o período anterior. O aumento percentual desse ano é o terceiro maior da série histórica, iniciada em 1988. Aumentos tão acentuados só foram vistos nos anos de 1995 e 1998. Embora não se possa responsabilizar totalmente o atual governo pelo agravamento da situação, o fato é que houve um desmonte da estrutura de fiscalização.

Os dados mostram que o País, ao longo das últimas décadas, vem dando passos adiante e para trás na questão ambiental. Entre 1976 e 2010, cerca de 15% da Floresta Amazônica brasileira foi desmatada. Isso representa 750 mil km2, o equivalente aos territórios de Portugal, Itália e Alemanha somados. Mas, entre 2001 e 2012, a taxa anual de desmatamento caiu 40% (de 37,8 mil km2 para 22,9 mil km2) no Brasil como um todo. Mais recentemente, o desmatamento voltou a subir brasileira. O País ainda desmata uma área similar ao território de Israel a cada quatro ano. Para a OCDE, isso ocorre porque ainda há uma grande brecha entre a legislação adotada e sua implementação de fato. A defesa do meio ambiente é algo urgente e prioritário. A proteção à natureza deve ser vista dentro de uma perspectiva que estabeleça uma relação entre o equilíbrio ambiental, a garantia de direitos humanos fundamentais, a obrigação do poder público de assegurá-los e o dever de cada cidadão de auxiliar nessa conquista. país que abriga a maior biodiversidade do planeta é também a nação dos BRICS com maior oferta de energia renovável. Deve lutar para superar as barreiras estruturais, como a proliferação de organismos de controle do meio ambiente, a falta de capacitação profissional e a expansão urbana e agrícola. Com tecnologia e inclusão social no campo, o País tem condições de alavancar sua produção sem aumentar a área desmatada. As ferramentas estão à mão. Basta que o discurso seja transformado em ações concretas.

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