Opinião
Paz sob mira
Neste mesmo espaço, por repetidas vezes nos últimos meses, tem sido chamada a atenção das autoridades e da sociedade sobre os riscos evidentes da ocorrência de atos de violência, vinculados às disputas políticas, em Alagoas. O mais recente alerta foi levantado quando uma série de reportagens da GAZETA revelou o clima de tensão (verdadeiramente bélica) no município de Batalha. O ousado atentado contra o deputado Cícero Ferro vem comprovar as piores perspectivas (no caso dessa situação não ser enfrentada da forma enérgica que os fatos estão a apontar). As cenas foram dantescas, dignas dos filmes de Hollywood, com saraivadas de balas. Felizmente, as vítimas conseguiram escapar com vida ? coisa rara, raríssima, em se tratando de atentados deste porte (e também em emboscadas com bem menos pistoleiros). Violência planejada e armada com a mobilização de um efetivo de muitos homens de mais de um veículo, com mais de um ponto para abordagem. Uma operação complexa que mostra o quanto se pode afundar nesse processo de agressões e quanto se investe para tirar a vida de um oponente. O valor dado pelos pistoleiros para suas ações deve ser respondido por um valor muito maior por parte da sociedade para enfrentá-los, prendê-los e entregá-los às barras dos tribunais. Responder com eficiência a arrogâncias criminosas como essa é indispensável, assim como é indispensável a identificação, o mapeamento das áreas de tensão e a realização de ações preventivas em todos esses locais. A lei de desarmamento está à disposição e deve ser usada intensamente. A pronta ação policial, num caso escandaloso como esse, é uma exigência cidadã. É necessário se dar uma resposta clara de que a sociedade alagoana não tolera, sob nenhuma hipótese, iniciativas desse tipo. Qualquer falha neste momento será um desastre. Responder exemplarmente é uma obrigação, porque em caso contrário estará aberta a temporada de caça aos adversários políticos (e pessoais). Sem uma pronta e eficiente resposta, uma provocação deste quilate poderá gerar uma onda incontrolável de violência. O momento de dar um basta nesse barbarismo é agora.