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Opinião

Noites de Academia

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JOSÉ MEDEIROS * Noites de emoção. Assim defino momentos como os de minha posse na Academia Alagoana de Medicina e, agora, a comemoração dos 10 anos de sua existência. São duas lembranças felizes, que me fizeram lembrar uma terceira: o dia de minha formatura. Há, sem dúvida, momentos em nossas vidas que são grandes pelo sentimento, queridos pelas emoções que concentram, caros pelas alegrias que resumem; são instantes inesquecíveis. Entende o autor de A luta pela cultura, que o conhecimento científico e o saber literário não podem e não devem ?ser meros ornamentos pessoais, mas armas indispensáveis à preservação das formas de comportamento e de criação, à conquista de novos horizontes individuais e coletivos, à participação no processo de transformação e melhoria do mundo em que se vive?. Assim vejo a Academia de Medicina e sua responsabilidade no contexto científico-cultural de nossa terra. Um colegiado ativo e participante, no qual temas científicos são debatidos e podem induzir a uma contribuição de relevância social, de ética e de humanismo. Mais de quatro décadas são transcorridas desde os distantes dias de minha formatura em Medicina. Os tempos vão e voltam ao sabor dos ventos, ora agitados, ora tempestuosos, ora calmos e acariciantes. Numa rápida análise desse percurso de vida advém-me a certeza de que jamais procurei ver o panorama de cima da ponte, à distância dos acontecimentos humanos. Luta-se para possuir bens materiais, todavia pela ciência e pela cultura pode-se alcançar a consciência de ser mais. Por fim, na humanidade de nossas ações, possivelmente se atinge a essência universal do ser espiritual. Repete-se, sempre, que o homem não é uma ilha solitária; somos todos continentes, cercados de humanidade por todos os lados. Tenho-me sentido feliz nas lides da Academia de Medicina. Acredito em seus propósitos e objetivos. E mais: é muito agradável o convívio humano e cordial. Nestes últimos anos faleceram amigos diletos, participantes dessa instituição: Dr. Aristóteles Calazans Simões, diretor da Faculdade de Medicina de Alagoas e primeiro Reitor da Ufal; o médico Eduardo Jorge Silva, reconhecido como um dos melhores radiologistas do País; e os professores Luiz da Rocha Sampaio, Úlpio Paulo de Miranda, Mariano Teixeira, Aderbal Jatobá e Jairo Leite. Nomes que pontificaram nessa organização científico-cultural, expressões marcantes de sua época e de seu tempo. É de se lamentar o irremediável: a fragilidade dos pilares da vida humana. Essas eram as palavras que eu gostaria de ter proferido na solenidade comemorativa dos dez anos da Academia Alagoana de Medicina, manifestando meus agradecimentos aos colegas e amigos: Milton Hênio Neto de Gouveia, primeiro presidente da Instituição e ao médico Antonio de Pádua Cavalcante, atual presidente. De igual forma, a todos os companheiros e amigos que compõem o seu quadro de sócios efetivos. (*) É MÉDICO E EX-SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO E DE SAÚDE

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