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Opinião

Crescer como?

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Governo e oposição concordam que o Brasil necessita obter sucessivas e expressivas taxas de crescimento econômico. Qual o caminho (o que deveria provar grandes discussões) não parece ser objeto de maiores controvérsias e, vez por outra, oposicionistas empedernidos derramam elogios à atual política econômica. A meta do governo para o crescimento do PIB em 2004 (3,5%) é considerada por muitos como modesta. Não deixa de ser verdade. Apesar das limitações brasileiras poder-se-ia trabalhar para uma taxa de crescimento maior. No entanto, existem algumas restrições que são intrínsecas à própria política econômica adotada nos últimos anos, tais como as metas de inflação muito baixas e os superávits primários excessivamente elevados. A atual política econômica traz no seu bojo uma séria limitação para que o país possa crescer a taxas maiores no futuro: o superávit primário. Só recentemente e, diga-se de passagem, sem muito entusiasmo da equipe econômica, é que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vem se empenhando pessoalmente nas negociações com o FMI e os principais países membros para retirar do cálculo do superávit primário as despesas com infra-estrutura. Sem infra-estrutura adequada nenhum país pode almejar taxas de crescimento econômico expressivas por um largo período (uma década, pelo menos) como é necessário para que se tenha possibilidade de promover a inclusão social e a distribuição de renda. A questão é que para atender à meta do superávit primário acertada com o FMI, nos últimos anos o Brasil não realizou os investimentos necessários em infra-estrutura. Como o governo não cogita mudar a política econômica, vem trabalhando para tentar desatar o nó criado pelo acordo com o Fundo, e também tem acenado (com atraso) com a aprovação do Projeto de Parceria Público Privada ? o que garantiria a participação da iniciativa privada em áreas essenciais da construção da infra-estrutura para as quais o governo não têm fôlego de encarar sozinho, como seria sua tarefa. Mas esse projeto se arrasta no Congresso, distanciando ainda mais a possibilidade dessas realizações. Enquanto isso, crescer continua sendo uma unanimidade, em termos de esperança...

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