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Anilda em tr�nsito

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DOUGLAS APRATTO TENÓRIO * Apresentar um livro é uma tarefa delicada e que só se aceita quando há empatia, admiração, amizade. Só se aceita quando há identidade e um vínculo forte de afinidades. Mesmo se o convite vier de alguém tão interessante como Anilda Leão. E foi por isso que aceitei apresentar o livro ?Em Trânsito?, na noite da última segunda-feira. O salão nobre da Academia Alagoana de Letras estava lotado. Admiradores e amigos da autora vindo de todos os lugares. Recorri a uma poesia de Alexander O Neill para abrir minha saudação: ?Amigo é um sorriso, de boca em boca, de olhar bem limpo. Amigo é o contrário de inimigo. Amigo é o erro corrigido, é a verdade praticada. Amigo é a solidão derrotada?. O livro é a história de uma mulher ousada. Possui múltiplos lugares de ação, segundo Enaura Quixabeira, ?uma audaciosa e cativante narrativa da trajetória de uma vida que cumpriu seu papel de mulher escolhida para marcar seu tempo??. Já O Luiz Sávio de Almeida: ?um depoimento fundamental para Alagoas, de uma mulher densa e verdadeira, a poética de seus passos biografados?. Eu acrescentei dizendo que é o retrato de uma vida vivida em plenitude, facilmente encaixada na categoria de uma boa memorialista. Francamente indisciplinada no escrever, encontramos um fascinante quebra-cabeças de fragmentos de fatos, ?flashes? de emoções e sentimentos que reconstituem uma vida, épocas e tendências, tabus e inovações que a autora assistiu com o passar do seu tempo. Inquieta, libertária, íntegra, subversiva, socialista, kardecista, madrinha dos jovens, das artes, advogada de boas causas, Anilda é uma intelectual que não se intimida. Acho que Moliterno, o grande amor de sua vida, de raízes originárias da Campânia italiana, aprendeu a ser mais italiano, no sentido do arrebatamento, da passionalidade vitalizadora, com a sua musa. É impossível falar de Anilda sem ligá-la à sua crença. Cada vida humana é uma trajetória dinâmica viva, ampla e plural. Podemos dizer que a vida humana é uma equação que se vai resolvendo sucessivamente, ao ritmo de seu desenvolvimento. E como em qualquer equação, o importante é fazê-la bem. Ela lembra acima de tudo a liberdade. A verdadeira liberdade é a livre vontade de construir um projeto de vida que nos libere da ignorância, das imperfeições, dos condicionamentos e dirigir nossas ações à sua consecução. Se esse projeto inclui como metas o amor, o trabalho, a caridade, o conhecimento, certamente alcançará êxito. A autora mostra que foi bem sucedida em seu projeto de vida. Pertence a um movimento espiritual que pretende abrir uma porta para a compreensão das causas dos conflitos humanos, apontando verdadeiras soluções. (*) É PROFESSOR E HISTORIADOR

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