Opinião
A �gua
DOM JOSÉ CARLOS MELO, CM * Há 50 anos, a Igreja no Brasil, durante o período da Quaresma, vem realizando a Campanha da Fraternidade, mobilizando a nível nacional uma reflexão em torno de um tema específico. Neste ano apresenta como tema: ?Fraternidade e Água? e como lema: ?Água fonte de vida?. O tema proposto é de máxima importância e atende às necessidades do momento atual em nossa realidade, convidando-nos para uma mobilização geral de toda a sociedade em torno desta causa. Conforme estudos realizados, nós somos água, e o texto-base da Campanha, elaborado pela CNBB, afirma: ?O corpo de um bebê é 90% água, o corpo de um adulto 70%. Nosso planeta, à semelhança de nosso corpo, tem 70% de sua superfície coberta por água. Nós nascemos numa bolha de água. No ventre materno, passamos nove meses dentro de uma bolsa com o líquido amniótico. Ele contém todas as substâncias necessárias para crescermos até saltarmos para o mundo?. Como se vê, a água é elemento vital para os homens, para os animais, para as plantas, etc. Ao mesmo tempo, reconhecemos a água como elemento purificador, conhecido de todos. Também, à luz da fé, a água é considerada como vida que renova nossa vida, pois, uma vez batizados, somos incorporados na comunidade dos filhos de Deus, lavados pela água do batismo. Toda a riqueza deste simbolismo da água é maravilhosamente traduzido e celebrado na solene liturgia Pascal do Sábado Santo. Neste ano, o Lema nos faz aprofundar que a água é vida, porque não existe vida onde não há água. Do ponto de vista biológico, água e vida não podem ser separadas. O ser humano pode ficar várias semanas sem comer mas, se não ingerir líquido, em dois dias começa o processo de falência múltipla dos órgãos, levando uma criança à morte em cinco dias e, em dez, um adulto. Entendemos dessa maneira que a saúde depende necessariamente da água e, sem os devidos cuidados de higiene, a maioria das doenças causadas muito prejudicam o homem. O objetivo primeiro da Campanha é o de conscientizar a sociedade sobre a importância da água, para que o homem saiba valorizar, evitando a poluição das águas, não danificando os rios e os lençóis subterrâneos, cuidando para não destruir nascentes e nem depredar mangues. Daí, entendemos que a água tem uma dimensão vital e ética que precisa ser cultivada e não podemos permitir que ela se perca. Há poucos dias, vivíamos numa situação de desespero e aflição diante da grave crise da seca que nos ameaçava. Hoje, estamos vivendo um paradoxo com as enchentes que ameaçam o País de Norte a Sul. Esta realidade precisa ser levada em conta nesta reflexão generalizada sobre a água na Campanha da Fraternidade de 2004. Em nossa Arquidiocese, a abertura da Campanha da Fraternidade terá início na Celebração Eucarística do dia 25 do corrente, quarta-feira de Cinzas, na Igreja Catedral, às 18 horas. Esta Quaresma é um forte convite de conversão para a fraternidade, tendo como referência a nossa mudança com relação ao nosso modo de sentir e agir sobre a água como patrimônio de todos. (*) É ARCEBISPO METROPOLITANO DE MACEIÓ