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Opinião

Coragem para informar

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Em um Estado marcado pela impunidade, o exercício do bom jornalismo costuma incomodar muita gente. Ontem, em entrevista transmitida pela TV, foi a vez do deputado estadual João Beltrão fazer sérias acusações a profissionais da GAZETA DE ALAGOAS. O deputado disse que as reportagens publicadas que citavam o seu nome eram ?mentirosas?, acusou o jornal de ?perseguição política? e disse, ainda, que ?não há, sequer, nenhum processo? contra ele. Antes de fazer acusações a profissionais do jornal mais lido em Alagoas, o deputado poderia ter feito, assim como qualquer cidadão, uma consulta rápida aos processos que estão tramitando na Justiça nos quais é réu ou indiciado. Ele sequer precisaria sair de casa, já que poderia acompanhar os processos pela Internet, nos sites www.tj.al.gov.br e www.tj.ma.gov.br. Lá, descobriria, por exemplo, que o nome João Beltrão Siqueira está citado, somente no Tribunal de Justiça de Alagoas, em três processos. Um deles, que envolve a receptação de veículos roubados, teve o desfecho noticiado pela própria GAZETA, em dezembro de 2003. Na época, um acordo judicial firmado no TJ permitiu ao deputado trocar a pena de reclusão pelo compromisso de distribuir cestas básicas em Coruripe, seu reduto eleitoral. Até no TJ do Maranhão há um processo de homicídio envolvendo o seu nome junto com outros quatro indiciados. O deputado deveria ter mais cuidado, também, ao fazer acusações e ameaças aos jornalistas Arnaldo Ferreira, editor de Política da GAZETA, e Fernando Araújo ? que, apesar de não trabalhar mais no jornal, é um profissional reconhecido por todos os anos de trabalho na Organização Arnon de Mello. Talvez o deputado desconheça que o ato de ameaçar alguém é crime previsto pelo Código Penal. O mais estranho é que, ao contrário do que diz o próprio deputado, a GAZETA não vem acusando-o de ter assassinado o vendedor de jóias José Cerqueira e o motorista dele, Magelo da Silva. O que a reportagem apurou, até hoje, é que dois seguranças do deputado são suspeitos do duplo assassinato. A GAZETA também levantou que o pedido de prisão preventiva dos dois suspeitos feito pela polícia, há 12 dias, até hoje, estranhamente, não foi protocolado na comarca de Coruripe.br> Ao bom jornalismo não cabe julgar ninguém. Cabe apenas informar, ao leitor, o andamento de casos que, como o de Coruripe, continuam manchando a imagem de Alagoas nacionalmente. Assim como os assassinatos de Silvio Vianna, Ceci Cunha, Andresson, Dimas Holanda e outros.

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