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Opinião

Caminhos da academia

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AGATÂNGELO VASCONCELOS * Em 1990, Arnaldo Braga Costa, este penedense de boa cepa a quem o Estado de Alagoas continua a dever homenagens mais significativas, passou-me às mãos os Estatutos Sociais da Academia Petropolitana de Medicina. Um dos seus inúmeros amigos estimulava-o a criar em Maceió instituição semelhante. Talvez por já estar com a saúde abalada pela moléstia que viria a retirá-lo desta nossa por vezes ingrata, mas sempre estimulante dimensão existencial, porém certamente muitíssimo envolvido com as suas patrióticas atividades no Conselho Estadual de Proteção Ambiental ? onde lucidamente representava a categoria médica alagoana ?, não levou a cabo a tarefa que lhe fora confiada. Julgou oportuno passar-me às mãos o que recebera, mas eu, achando-me sobrecarregado pelos afazeres da Sociedade de Medicina de Alagoas, que então presidia, afora as minhas atividades profissionais, não me atrevi a cumprir a dignificante missão e após certo tempo entreguei os papéis ao Antônio de Pádua Cavalcante. Este, assoberbado pelas ocupações do Conselho Regional de Medicina, do qual era o então Presidente, também não alcançou criar a instituição pretendida. É quando Tácito Augusto de Medeiros, conceituado psiquiatra conterrâneo radicado no Recife, juntamente a Lamartine de Holanda Júnior, telefona para o predestinado Milton Hênio, homem dotado de grande poder aglutinador (ele consegue quase tudo em Alagoas, exceto ?carregar?, em certas eleições, candidatos talvez demasiadamente ?pesados?, ou, como se tornou moda dizer-se em Alagoas, destituídos do ?adequado perfil? para determinadas entidades...), que convoca a José Costa Lima, Antônio de Pádua, José Wanderlei e ao autor destas linhas para reuniões preparatórias na sede do CREMAL. E foi assim que, no início da noite do dia 31 de janeiro de 1994, como está registrado em ata por mim lavrada como secretário ?ad hoc?, foi fundada a Academia Alagoana de Medicina ? a qual seria instalada oficialmente a 18 de outubro do mesmo ano, Dia do Médico, na hagiologia cristã Dia de São Lucas. Desde o seu início, tem a nossa Arcádia procurado cumprir os seus ditames estatutários e regimentais. Reuniões memoráveis, com aprofundados debates, têm nela ocorrido, tendo como protagonistas acadêmicos ou eminentes convidados. Face ao ciclo da vida, a renovação do seu quadro social tem acontecido. Nestas ocasiões somos tomados por contraditórios sentimentos de saudade pelos que partiram e de esperançosa alegria pelos que chegam. Claro, há dificuldades e por vezes incompreensões quando temos de eleger novos companheiros, mas isto é inevitável. Grandes homenagens temos prestado, a exemplo da concessão de títulos honoríficos, a personalidades como Nise da Silveira e Lili Lages, assim como a outras de igual valor. Entretanto, a nossa Academia precisa ainda mais crescer. Embora os esforços dispendidos, é necessário tornar-se mais visível à comunidade. Não nos acomodemos apenas com a sua existência: imprescindível é uma atuação mais forte, para que a ela não se aplique o que disse Voltaire sobre a Academia de Soissons: ?... (é) uma filha ajuizada, bem comportada, que nunca deu motivos para que falassem dela...?. (*) É MEMBRO DA ACADEMIA ALAGOANA DE MEDICINA

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