Opinião
Sombra do desemprego
O país terminou 2003 com taxa recorde de desemprego, 12,3%. Este fato ilustra de forma definitiva o que foi o primeiro ano do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na área social. Os argumentos para a manutenção da política econômica recessiva herdada do governo anterior foram inúmeros, definidos como ?recuperação da credibilidade junto aos investidores externos?, ?controle da inflação?, dentre outros. Todos, em maior ou menor grau, contribuíram de alguma forma para a obtenção de resultado tão ruim. Segundo a recente pesquisa CNT/Sensus, 53% dos entrevistados indicaram que a geração de empregos deveria ser a principal prioridade do governo. O governo também já percebeu que este é um problema que merece atenção especial. Em encontro realizado esta semana, com a bancada federal do Partido dos Trabalhadores, o secretário geral da Presidência afirmou que ?vamos ser julgados pelas mudanças que promovermos. No ano passado, não fizemos mudanças, ficamos no esforço para a estabilidade. Temos que fazer mudanças especialmente na área social e na geração de empregos?. Na ocasião, ele também destacou que o crescimento da economia este ano (estimado pelo governo em 3,5%) não representará necessariamente redução na taxa de desemprego. Para o ministro, o drama do desemprego só será resolvido se o país adotar políticas específicas, citando, como exemplo, o programa Primeiro Emprego. Em situações de emergência é natural e inadiável que sejam estabelecidas políticas específicas de incentivo ao emprego para atenuar o problema e evitar danos sociais mais graves. Ao se tornar permanente programas conjunturais, corre-se o risco de manter à margem dos benefícios do crescimento econômico parcelas consideráveis de brasileiros que só sobreviveriam através de programas deste tipo. Dura realidade. No primeiro ano, os antigos adversários foram contemplados (antes demonizado, o FMI teve atendidas todas as suas demandas). Para o segundo ano, pelo menos na questão do desemprego, os companheiros de longa data ainda não estão na lista de beneficiados.