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O Brasil e a Alca

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O governo dos Estados Unidos é o principal incentivador da criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Como não poderia ser diferente com países que prezam sua soberania e defendem seus interesses, os americanos definiram uma agenda de negociações onde privilegiavam temas essenciais para eles, como por exemplo, compras governamentais, investimentos, propriedade intelectual, serviços. Deixaram de lado a agricultura e a política anti-dumping, temas que não lhes interessavam. Caberia aos demais países que farão parte da Alca (são 34) defender seus interesses e sua soberania da mesma forma que os Estados Unidos. E aí começa o problema, pois não é nada convidativa a hipótese de enfrentamento com a única superpotência do planeta. Quando o Brasil, a partir de 2003, ousou contestar a agenda americana de criação da Alca, surgiram vozes influentes dentro e fora do governo, chamando a posição brasileira de temerária e prevendo o isolamento do País e a implantação de uma área de livre comércio sem o Brasil. De lá para cá ? até a reunião de Puebla (México), encerrada semana passada ? o que se tem visto é uma pressão sem precedentes sobre o governo brasileiro para que a proposta original americana, sepultada na Conferência Ministerial de Miami, em novembro de 2003, seja desenterrada e volte a ser discutida. Ninguém com o mínimo de bom senso poderia acreditar que as negociações com os Estados Unidos para a criação da Alca seriam fáceis, se a proposta americana não fosse aceita. O contencioso que contrapõe Brasil e Estados Unidos ainda trará desdobramentos. Estão envolvidas questões econômicas, mas sobretudo, políticas. Qualquer definição do governo brasileiro irá moldar, de uma forma ou de outra, a possibilidade ou não de o País se desenvolver de forma autônoma e soberana. É uma negociação desigual, onde é bem difícil o êxito para o Brasil ou para a maioria dos países interessados. Mais dificultosa ainda será essa meta se o governo Lula seguir dividido nessa questão, com ministros trocando farpas e esgrimindo em público posições contraditórias sobre o que, como e o quanto se divergir com o gigante do Norte.

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