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Opinião

No carnaval, principalmente

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PETRÚCIO MAGNO VERAS * Na nossa vida, que acreditamos ser de importante passagem, se faz necessário primarmos pelos valores que nela existem, para nos tornarmos viáveis, afastando-nos dos dissabores, dos sofrimentos e, por outro lado, aproximando-nos do que é saudável. Nesse processo, onde a boa intenção e a coerência são indispensáveis, nos situamos entre o fanatismo e a liberalidade. Um desses valores é a cultura popular, pois dela constam as nossas tradições, dentre as quais o carnaval, um dos fatores na formação de nossa identidade cultural. Estamos todos satisfeitos, desde aqueles que brincam até aqueles que ficam em casa relembrando, se deleitando com as velhas, tradicionais músicas carnavalescas. Tudo indica que está ressurgindo o nosso carnaval. Caso seja, será ummarco histórico. Mas também é bom que se diga que devemos estar preocupados com o ?avesso? desta nossa causa ? a irreverência. Ela já está presente em nomes de blocos, em letras musicais, em comentários que, por conta da vontade de seus divulgadores, ao arrepio dos princípios sadios das brincadeiras, se manifestam nos pejorativos, nos duplos-sentidos. Essa maneira de participar não é positiva na condução da folia, onde se encontram, principalmente, as crianças, os jovens, na expectativa de crescer culturalmente. A irreverência sempre existiu, faz parte da crítica, da zombaria, mas também nunca faltou uma reação de impedimento para evitar o desvirtuamento, a bagunça imperar, arrastando multidão de iguais e de desavisados, e assim a beleza acabar. O problema está na moderação, na discrição, reprimindo os exageros oriundos dos impulsos danosos aos bons costumes. Mas como, ultimamente, ela vem sendo utilizada como uma ?necessidade? indispensável ao lazer, ao humor, à comunicação, como se fosse já legalizada, é para estarmos deveras preocupados. Não é somente no carnaval, mas no São João, em nome de arraiais, em letras de forró, contribuindo na descaracterização. Essa irreverência também está em objetos artesanais e até na campanha da Aids, criada pelos próprios doutores dos Ministérios da Saúde e da Educação, que vêm escandalizando, fazendo uma ?parceria? entre a comicidade e a presepada maliciosa, num total disparate, sem conexão com o objetivo de atingir a raiz do problema. Mas, ao contrário, recomendam, indiscriminadamente, a prática do sexo, ?desde que seja seguro?. Outro incrível absurdo é que eles, ?os fora da raia?, depois de confundirem, equivocarem o sentido das coisas, se inocentam e, debochadamente, advertem: ?não é isto que você está pensando, não?! Prosseguimos nesta luta do tamanho da tradição, dos mais velhos aos mais jovens, de maneira direta ou indireta, pela redenção de nossas legítimas tradições. Mas no afã da empolgação, não passemos despercebidos, estejamos atentos às ações nefastas que possam surgir contra elas. (*) É PROFESSOR DE HISTÓRIA

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