Opinião
O proibitivo saber
No campeonato de aumento de preços no Brasil, nos últimos sete anos, os custos com a educação conquistaram a segunda colocação. Em primeiríssimo lugar, os gastos com a saúde. Deixemos o preço da saúde, que está pela hora da morte, para um outro dia. Hoje, vamos nos debruçar sobre a educação. Segundo pesquisa divulgada ontem pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), nos últimos sete anos, os gastos com a educação subiram 91,92%, enquanto o Índice de Custo de Vida cresceu 72,05% no mesmo período. Uma diferença considerável. Analisando ainda mais o pulo dos custos com a educação, veremos que ? se analisadas isoladamente ? os preços das mensalidades escolares subiram 94,52% (nos mesmos sete anos). Os números apenas confirmam o que todos os bolsos já sabiam. A educação, como de resto tudo que é essencial, tem crescido bem mais que qualquer índice oficial de inflação. No caso específico da educação, esse peso descomunal está agravado socialmente por um outro dado indiscutível e excludente que é a privatização acelerada do setor. A cada dia, a educação pública e gratuita (ou semi-gratuita, em função da proliferação das taxas) reduz sua abrangência e encolhe em todo o País. Ao mesmo tempo, cresce desordenadamente as escolas pagas em todos os níveis. São duas faces divergentes e complementares da mesma moeda, complementando-se pela contradição. Ao mesmo tempo que a escola pública definha, o ensino privado incha. Nos bairros populares, esse inchaço é mais visível, com a proliferação sendo custeada pelas famílias (em número cada vez maior) que ? embora sem condições de arcar com os custos do ensino pago ? são excluídas da rede pública. O item custos com o ensino, hoje, não dizem mais respeito às camadas sociais mais favorecidas, como há muitas décadas; nem se limitam mais ao somatório das camadas mais favorecidas com a classe média. Hoje, os assalariados mais sofridos têm que apelar para o ensino pago para poder educar seus filhos. A disparada dos preços do ensino corresponde a um flagelo social que castiga a grande maioria da população brasileira.