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Opinião

A decad�ncia do samba

Luiz G. Barroso Filho * A importância cultural do samba avulta no carnaval, com o desfile das escolas, que apresentam um espetáculo deslumbrante, principalmente no Rio de Janeiro, onde foi criada uma variante do samba tradicional denominada samba-enre

Por | Edição do dia 21/02/2004 - Matéria atualizada em 21/02/2004 às 00h00

Luiz G. Barroso Filho * A importância cultural do samba avulta no carnaval, com o desfile das escolas, que apresentam um espetáculo deslumbrante, principalmente no Rio de Janeiro, onde foi criada uma variante do samba tradicional denominada samba-enredo, cujos versos abordam temas históricos, literários, folclóricos, além de outros envolvendo personagens da política, do esporte e do mundo das artes, transformando-o numa “ópera-balé ambulante” de qualidade pedagógica, o que justifica a designação escola de samba. Em Maceió, o desfile oficial das escolas de samba, que ocorre desde a década de 50 do século passado, não apresenta o mesmo arrojo de outras capitais e, a cada ano, vem deixando de ser um espetáculo atrativo, para ser uma manifestação decadente, em decorrência dos parcos recursos financeiros de que as escolas dispõem para se apresentarem de forma digna. Infelizmente, a situação de penúria vivida pelas escolas de samba alagoanas irá persistir, enquanto as reclamações dos sambistas estiverem voltadas contra a pequena e tardia ajuda dos poderes públicos. Como se sabe, colocar uma escola de samba na avenida é tarefa árdua e dispendiosa, porém, a apatia e a falta de criatividade das agremiações, no sentido de angariar recursos, são aspectos que devem ser ressaltados, vez que elas ficam sempre dependendo da subvenção oficial, que é bem-vinda, mas não pode constituir-se na principal fonte de receita das agremiações. O que deve ser encarado como imprescindível é a criação de uma estrutura capaz de mantê- las em atividade permanente, com um quadro social organizado, para que as dificuldades sejam superadas com a contribuição de todos, sem que apenas alguns abnegados tenham de “mendigar”, às vésperas do carnaval, para que a escola desfile de qualquer jeito. Considerando que até as famosas congêneres do Rio de Janeiro e de São Paulo também enfrentam sérios problemas, geralmente solucionados com coesão, garra e amor à escola, atributos fundamentais no ambiente do samba, conclui-se que o declínio das escolas de samba em Maceió pode ser atribuído à acomodação dos próprios sambistas. Quando isso for assimilado e o pessoal se dispuser a realizar um trabalho bem planejado, conclamando a comunidade e empresários do próprio bairro que sedia a escola, não só visando o apoio financeiro, mas estimulando-os a participar de maneira efetiva da vida da agremiação, os resultados positivos advirão, independentemente do dinheiro público. Desse modo e até pela tradição do samba em Maceió, espera-se um esforço redobrado dos integrantes das seis escolas atualmente filiadas à Liga, na tentativa de soerguê- las, pois o samba é expressão maior da cultura popular brasileira e não deve desaparecer do carnaval alagoano. Em tempo: as primeiras escolas de samba de Maceió foram a “Cinédia”, do bairro da Levada (1952), e a “Circulista”, da Ponta Grossa (1953), já desativadas. Em 1955 surgiu a “Unidos do Poço”, que ainda sobrevive. (*) É membro da Comissão Alagoana de Folclore

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