Opinião
Mais um Pinto
MARCOS DAVI * Começamos as atividades antes das cinco horas da manhã do sábado passado, dia 14, o dia do desfile do Pinto da Madrugada. Deslocando do ?barracão? do bloco (um terreno localizado nas imediações do Alagoinhas, emprestado pelo amigo e folião Ronald Vasco), o carro do Pinto e a Pintoca para o local previsto para o início do desfile, as imediações do Hotel Enseada. O deslocamento com a ajuda do Detran foi fácil. A coisa começou a complicar quando foi necessário fazer a curva da Pintoca em frente ao Hotel Enseada e voltá-la para a direção ao desfile. Foi uma mão-de-obra. Gastamos um tempão até acharmos a solução salvadora. Logo depois foi um dos pneus do Pinto que estava arriado e precisava ser trocado. Resolvidos estes imprevistos, era umas seis e meia quando a primeira orquestra chegou e isto nos animou. Era a de Matriz de Camaragibe, uma das três predeterminadas para abrir o bloco. As outras foram chegando em conta-gotas. Tínhamos a intenção de começar o desfile às 8 horas e para tal a presença de todas as orquestras, em suas posições previamente definidas, era fundamental. Infelizmente, a Orquestra de Quebrangulo só chegou às oito e meia e a de Pão de Açúcar, a grande retardatária do dia, só chegou quase às nove horas, quando angustiados já nos propúnhamos a fazer um arranjo e a sair sem a mesma. Logo a seguir, explodimos os fogos de artifício e botamos o bloco para andar. Como prevíamos, a Pintoca agregou um número imenso de foliões e foi decisiva para uma evolução lenta do desfile, embora várias outras orquestras também tenham sofrido o mesmo processo. Sem contar o exército de ambulantes, que por mais que apelemos à SMCCU para nos ajudar, deslocando-os do meio da avenida para as laterais, eles insistem em se colocar no meio, atravancando o desenrolar do bloco. Depois, foi o que se viu: mais de 60 mil pessoas vibrando no Pinto. Muita espontaneidade, alegria, confraternização e nenhuma violência. A todo momento um folião que reclamava que o bloco estava muito lento, e junto dele outro que reclamava que estava muito rápido. A chuva que caiu não os desanimou, pelo contrário, deu-lhes ânimo novo. Quando a frente do bloco ultrapassou a barraca Pedra Virada, o local onde tínhamos colocado uma orquestra fixa com coral, já era uma e meiada tarde. Ali, já tínhamos quase cinco horas de desfile e muitos foliões já estavam esgotados. Todavia, o encontro das alas e orquestras esfalfadas com o ?Pólo Pedra Virada? serviu-lhes de intenso revigoramento: foi uma verdadeira apoteose, as emoções que pareciam já estar suficientemente diluídas, voltaram a explodir. Passada a última orquestra, só então nos demos ao luxo de avaliar que tínhamos novamente cumprido a nossa missão de resistência cultural, com a ajuda dos patrocinadores, das nossas autoridades, dos amigos, da mídia e dos foliões, maravilhosos e incansáveis foliões do Pinto da Madrugada. (*) É MÉDICO