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Nº 5718
Opinião

O riso e a sa�de

JOSÉ MEDEIROS * Um ditado muito popular diz que “rir é o melhor remédio”. Remédio, pergunta-se? A resposta é sim. A palavra remédio significa, ao pé da letra, tudo aquilo que combate dores, febres, indisposições e doenças; mas, em sentido mais amplo, ref

Por | Edição do dia 10/04/2002 - Matéria atualizada em 10/04/2002 às 00h00

JOSÉ MEDEIROS * Um ditado muito popular diz que “rir é o melhor remédio”. Remédio, pergunta-se? A resposta é sim. A palavra remédio significa, ao pé da letra, tudo aquilo que combate dores, febres, indisposições e doenças; mas, em sentido mais amplo, refere-se ao que serve de ajuda, auxílio, socorro, melhoria. Rir pode ser o auxílio do bem-viver. Esse assunto está no palco das discussões. A mídia amplia programas de lazer, de entretenimento e de humor, que provocam risadas e sorrisos, que contribuem para aliviar tensões e opressões do cotidiano. Freud, médio-mago de estudos do consciente e do inconsciente, já, há um século, tentava decifrar o enigma da relação do riso com o bem-estar físico e mental. O rá! rá! rá! das sonoras gargalhadas é contagioso, quando alguém ri os outros tendem a rir também. Estudos levados mais longe mostram que é fator de interação social, de entendimento e de comunicação. Que a solidão maltrata, não resta a menor dúvida. Conta-se a historieta de um solitário esquimó, habitante da região gelada do Ártico. Vivia sozinho nessa região longínqua do planeta, onde impera um clima de seis meses de sol e claridade e seis meses de escuridão total. Perturbado e triste num desses prolongados invernos, resolveu casar-se. Viajou 100 quilômetros até o abrigo onde morava um amigo, no refúgio (iglu) construído com blocos de gelo. Esse amigo tinha duas filhas, em idade casadoura. Foi simples e direto, necessitava de uma companheira, tinha o necessário para viver. O pai das jovens não se fez de rogado, deu informações sobre as filhas solteiras. A mais velha era bonita, prendada, mas caladona e de pouca conversa. A mais jovem era feiosa, porém alegre, gentil, ria muito, muito brincalhona. O esquimó nem pestanejou: escolheu aquela que gostava de rir, pois necessitava de gargalhadas para espantar a solidão dos compridos dias de inverno no Pólo Norte. Se não acreditam que o riso tenha influência na saúde observem alguns relatos de especialistas. “O cardiologista Michael Miller, da Universidade de Maryland, Estados Unidos, liderou uma pesquisa sobre os benefícios do riso para a saúde do coração. Chegou a resultados surpreendentes. Comparando as atitudes de 150 pessoas diante da vida, com históricos de enfarto com o mesmo número de pessoas sadias, descobriu que aquelas que nunca tinham sofrido problemas no coração eram as que demonstravam bom-humor constante. Para evitar pro-blemas cardíacos, Miller recomenda combinar a velha receita de saúde (exercícios físicos regulares e dieta balanceada) com algumas gargalhadas”. Pessoas alegres, joviais, bem-humoradas, levam vantagem na prevenção e na cura de males psicológicos. Momentos felizes são poderosos antídotos contra doenças e enfermidades. E mais: as doenças cardíacas têm atrás de si uma esteira de distúrbios emocionais. Estresses do cotidiano tornam indispensáveis a contrapartida de risos e gargalhadas. Não será exagero dizer que o pior dia da semana foi aquele em que não se teve tempo para rir e sorrir. (*) É MÉDICO

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