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Tempo de convers�o

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DOM JOSÉ CARLOS MELO, CM * Todo tempo é tempo de conversão, pois mudar de vida significa assumir na caminhada da fé o desejo de seguir os passos do Mestre Jesus: caminho, verdade e vida. Ela é um processo contínuo e permanente. A quaresma é para nós católicos uma preparação para a Páscoa do Senhor que se torna no Brasil ?Campanha da Fraternidade? celebrando a Ceia do Senhor como gesto de pobreza, contrição, esperança e anúncio. Celebrando o mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus, começamos a entender que Ele morreu porque os judeus o mataram, em conseqüência de sua ação. Morreu pelo que disse e fez. Mas, ao mesmo tempo, morreu porque era essa a vontade do Pai. Para os judeus Jesus era motivo de descontentamento, porque Ele se apresentou como Messias. Daí eles afirmavam: ?apresentar-se como Messias, rei ou enviado de Deus sem sê-lo é a maior mentira possível. Trata-se de um insulto a Deus, uma blasfêmia que merece a morte. Então o falso Messias tem de morrer?. O objetivo próprio da Quaresma está precisamente na preparação intensa e gradativa para a Páscoa do Senhor, quando celebramos o Mistério de sua Paixão, Morte e Ressurreição. A Igreja, na liturgia deste tempo, usa de uma pedagogia especial e nos apresenta textos próprios para aprofundar o espírito quaresmal que se caracteriza como tempo de penitência e conversão. Para o Apóstolo Paulo, a conversão significa mudança e transformação que exigem novos pensamentos, novos sentimentos e novas atitudes. Em outras palavras, a conversão requer mentalidade nova, coração novo e vida nova em Cristo. Para o mesmo Apóstolo: ?Quem está em Cristo é uma nova criatura?. Com toda esta riqueza de espiritualidade própria da Quaresma, somos eficazmente ajudados e preparados para viver intensamente o Mistério Pascal de Cristo na Semana Santa e na vida. Ela nos fará passar do Cristo morto para o Cristo Ressuscitado e glorioso. Quando o homem se converte espiritualmente, a Igreja se renova e se santifica para a missão de anunciar e ao mesmo tempo, diante das injustiças deste mundo, denunciar esta realidade que contraria o Evangelho de Jesus Cristo. A Quaresma, teologicamente falando, é vista dentro do Mistério Pascal de Cristo, celebrado no Tríduo Sagrado e com os Sacramentos Pascais que tornam presente esse Mistério como vida e participação para o homem. Na verdade, os Sacramentos atualizam admiravelmente em nós a plenitude da vida em Cristo. Trata-se de um tempo de experiência mais forte na participação do Mistério Pascal de Cristo, como afirma a carta aos Romanos: ?Participamos do seu sofrimento para participarmos também da sua glória?. ( Rm 8,17) A Igreja em sua pedagogia nos propõe meios eficazes para a concretização de nossa conversão. Entre eles, recordamos aqui os seguintes: A oração, porque sem a graça do Senhor é impossível a realização do plano de Deus em nós. Além disso, é necessária também a mortificação que consiste no domínio dos impulsos desordenados. Finalmente o exercício da Caridade para com os mais necessitados, porque em última análise a conversão é a volta para o amor de Deus e dos irmãos. Vivamos, pois, este Tempo de Conversão. (*) é arcebispo metropolitano de Maceió

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