Opinião
Prevenir o envelhecimento
JOSÉ MEDEIROS * A medicina não pode vencer a morte, mas pode alongar o período existencial. Alcançar a ?imortalidade? é um velho sonho da humanidade, uma ilusão perseguida pelos alquimistas (os antigos bioquímicos) que procuravam o segredo de uma vida eterna vivida num corpo jovem e saudável. A moderna medicina científica, apoiada na genética, na descoberta de bactérias e de vírus, na evolução das doenças e de seu diagnóstico - não mais cuidou disso, com a constatação de que o aniquilamento físico é inevitável. O sonho atual de alguns cientistas é a clonagem, em que pesquisadores a partir de células isoladas reproduzem outro ser igualzinho, novinho em folha. Sobre a ?imortalidade? vale a pena repetir duas citações, a primeira, encontrada nos livros de história da Medicina: ?Hesíodo (poeta grego que viveu no oitavo século a.C.) descreveu uma raça dourada, constituída por um povo que vivia centenas de anos sem envelhecer?. Uma segunda citação, diz: ?Textos bíblicos mostram que o homem foi colocado no mundo para ser imortal, mas perdeu esse privilégio pelas transgressões morais - àquela refeição indevida no Jardim do Éden (maçã). Mesmo assim, Adão sobreviveu 930 anos, seu filho Seth, 912 e Enos, seu neto, 905 anos. Matusalém, também foi longevo?. O que a medicina obteve com sucesso foi o prolongamento da vida útil do ser humano, com aumento da expectativa de vida e eliminação de numerosas doenças, moléstias e enfermidades que atormentavam a humanidade. Mesmo assim, continua sendo desafiada pelo câncer, pela Aids, por vírus desconhecidos que assolam os países asiáticos e ameaçam invadir os continentes vizinhos. A vida atual é tão difícil que fatores positivos que retardam o envelhecimento - felicidade pessoal, por exemplo - são sobrepujados por fatores negativos - solidão, dificuldades financeiras - que aceleram esse processo. Os seres humanos nascem, desenvolvem-se, crescem e envelhecem, numa sistemática em que as modificações vão ocorrendo a cada fase, muitas vezes, despercebidas pelas próprias pessoas. Podem (e devem) ser prevenidas muitas das doenças que ocorrem ao longo desse período. Seria útil a criação de uma nova disciplina na grade curricular das universidades: educação para o envelhecimento. É necessário que aos 20 anos se pense no que ocorrerá aos 40, e, aos 40, esteja-se atento aos cuidados para alcançar 80 anos com saúde. Cuidar da saúde física, mental e social é um bom lema. Se falarmos de alimentação adequada, exercícios físicos regulares, exames médicos periódicos, estamos repetindo o óbvio. Mas, nos desempenhos sociais, estão muitos dos segredos do prolongamento da vida útil. São fatores considerados positivos: viver com (relativa) tranqüilidade, ter relacionamentos estáveis, satisfação no trabalho, fazer amigos, atingir uma situação financeira estável. Quem não gostaria de possuir tudo isso? E os especialistas fazem uma indagação final: Hora após hora, dia após dia, estamos afastando o estresse para longe? Quem consegue unir alguns desses pontos é um ser humano extremamente feliz: deverá ter uma velhice saudável. (*) É MÉDICO E EX-SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO E DE SAÚDE