Opinião
Meta: gerar empregos
RONALDO LESSA * Mesclando inspeção de obras e instalação de serviços públicos nos municípios, fiz questão de iniciar as atividades do Poder Executivo em reuniões com o secretariado e dirigentes de órgãos do segundo escalão governamental. É que durante os dias em que estive afastado da intensa rotina de despacho oficial, pude refletir acerca do andamento da gestão, nesses últimos cinco anos. Diante de algumas conclusões, considerei indispensável socializá-las com o coletivo do governo. Primeiramente, devo manifestar satisfação quanto à evolução que foi possível empreender no setor público. Há progressos indiscutíveis na gestão. O governo de Alagoas está mais presente e atuante na vida dos alagoanos. Fico feliz em constatar a mudança de rumo na educação pública estadual. Criamos 159 mil novas vagas, triplicamos a oferta para o segundo grau, instituímos eleições diretas para escolha dos dirigentes das escolas, recuperamos, ampliamos e construímos centenas de estabelecimentos educacionais em todas as regiões e fizemos concurso público para incrementar a difusão do conhecimento, sem o qual ninguém pode ser feliz. Com orgulho, vejo a Unesco reconhecer o salto de qualidade em nosso ensino público, que proporcionou a maior evolução no país do denominado IDH-educação. Para se ter idéia, basta constatar que o nosso tradicional CEAGB duplicou a sua capacidade de absorção de alunos nesse período governamental. A área da Saúde também acumula ganhos valiosos: instalamos a Unidade de Emergência do Agreste, modernizamos e duplicamos a Maternidade Santa Mônica, reativamos os prontos-socorros dos bairros de Maceió e ampliamos a assistência no interior. Os dados comprovam que, através de ampla rede de cooperação, envolvendo organizações sociais, prefeituras e organismos federais e até internacionais, está sendo possível salvar cada vez mais vidas e diminuir a mortalidade infantil. Não é objetivo destas reflexões relatar as conquistas no âmbito da infra-estrutura, da captação de investimentos, da atração do setor produtivo, do resgate da nossa reputação perante às autoridades da República e da estabilidade das contas do governo de Alagoas. É evidente que existem experiências vitoriosas em todos os campos, sobre as quais refletirei em outra ocasião. Não obstante todas as conquistas acumuladas, ainda é muito grande o nível de exclusão em nosso meio. A verdade é que foi muito cruel a estagnação do nosso processo de desenvolvimento, sobretudo nas décadas de 80 e 90, consideradas pelos analistas como perdidas na história. Como o abismo criado foi descomunal, os passos positivos empreendidos são insuficientes para resgatar a cidadania ainda excluída de nosso convívio. Daí a razão de a nossa equipe se motivar pelas ações bem-sucedidas, mas tendo a consciência de que precisamos efetuar mais esforços nessa construção do desenvolvimento, tendo sempre a consciência de que o ser humano é o nosso grande objetivo. Nesse sentido, é preciso consolidar os ganhos obtidos. Muito embora seja perceptível a elevação do nível de cidadania, de cobrança social e acompanhamento popular daqueles atos empreendidos pelos agentes públicos, ainda falta comprometer toda uma geração com os novos tempos. Cinco anos, num contexto de evolução social, nada mais representam do que o início de uma etapa, que não deve sofrer retrocesso. Há todo um plano de governo em execução. Acabamos, por exemplo, de consolidar o novo Programa do Leite, cuja parceria federal está viabilizando a distribuição diária de 56 mil litros de leite, adquiridos de uma cooperativa constituída por pequenos produtores alagoanos. O encontro da equipe governamental serviu para recomendar mais empenho na execução das tarefas pertinentes a cada área. Serviu também para definir a construção de ações especiais em defesa da criança e do idoso. Por fim, serviu para estabelecer uma meta ousada: mobilizar toda a estrutura governamental com vista à geração de renda e empregos para 300 mil famílias alagoanas consideradas abaixo da linha de pobreza. Há área do governo com responsabilidade de desenvolver políticas para esse fim, mas entendo que nesse campo o compromisso é geral. Por fim, alertei a todos acerca da qualidade do serviço público, mantendo o que foi estabelecido e buscando meios para elevar cada vez mais a qualidade daquelas ações que favorecem, com particular justeza, os que mais precisam da mão solidária do Estado. (*) É GOVERNADOR DE ALAGOAS