Opinião
Pobre ensino p�blico
A taxa de analfabetismo em Alagoas é uma das mais elevadas do Brasil. Em setembro do ano passado, a Secretaria Estadual da Educação anunciou que estava desenvolvendo estudos para instituir o programa ?Alfabetizar é Preciso?, destinado a atender 50 mil pessoas com idade acima de 15 anos. Para atingir esta meta, seriam liberados recursos do Ministério da Educação, que no entanto não estavam ainda assegurados no orçamento da União. Com o contingenciamento de recursos federais implementado para atender à meta do superávit primário, corria-se o risco (admitido pelo próprio secretário extraordinário de erradicação do analfabetismo à época) de que, sem uma mobilização da sociedade, os recursos jamais fossem disponibilizados no montante necessário. Além deste grave problema, Alagoas possui outros, como a oferta de vagas nas escolas públicas. Segundo o IBGE, Maceió é a capital do Nordeste com o maior número de crianças fora da escola ? apesar de a Secretaria Municipal de Educação contestar estes dados. A evasão escolar também é elevada: 4,5% dos alunos matriculados. Além destas questões, apesar dos avanços, a qualidade da educação pública está abaixo de boa parte das escolas privadas. Em Maceió, onde se concentram a maioria das escolas, dentre as melhores que possuem referência de oferta de um bom ensino, não se encontra nenhuma escola pública. A questão da queda de qualidade no ensino público não é uma particularidade alagoana. Esse é um fenômeno nacional que está a se desenvolver há décadas, com o lento definhamento da escola pública. Durante muitos anos, o próprio movimento estudantil brandiu a bandeira ?contra o ensino pago?, tendo como alvo o ensino de nível superior. Mesmo nas épocas de maior força das mobilizações estudantis, a questão do sucateamento do sistema público de educação (fundamental e básica) foi relegado a um segundo plano, enquanto a privatização do ensino superior canalizava os principais debates. Hoje, quase sem debate, aflora a constatação ? trágica ? da falência do ensino público em seus níveis básicos. Essa é uma realidade brasileira e Alagoas não está fora desse cenário.