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Opinião

Parceria exemplar

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HUMBERTO MARTINS * Transformar os obstáculos em soluções parece ser o caminho bem-sucedido para resolver os problemas das cidades brasileiras. Entre esses problemas, destaca-se o do lixo. Milhares ou milhões de pessoas radicadas numa mesma área produzem milhares de toneladas de lixo. Começam a faltar áreas onde esses detritos, na superfície ou no subsolo, possam ser acumulados. Além do mais, muitos dos detritos gerados pelas mais diversas atividades não se decompõem naturalmente. Podem causar, a médio ou longo prazo, graves danos, inclusive de saúde pública. Solução adotada pela maior cidade do Brasil, que é também a maior da América do Sul, São Paulo, pode ser tomada como modelo por outros burgos. O gás gerado pela decomposição de cerca de sete mil toneladas de lixo na localidade denominada Aterro dos Bandeirantes, situada na zona norte da capital pau-lista, não mais será jogado na atmosfera. Transformar-se-á em energia suficiente para abastecer cerca de 200 mil pessoas. O aproveitamento evitará, por hora, a emissão de cerca de dez milhões de litros de metano (CH), componente principal da mistura gasosa produzida pelos resíduos, um dos maiores perigos para o meio ambiente, no mundo inteiro. Os efeitos benéficos do que está acontecendo agora no Aterro dos Bandeirantes já podem ser sentidos, com a recente inauguração da maior usina de geração de energia à base de lixo do País. A iniciativa é resultado de elogiável participação conjunta de um banco, o Unibanco, da empresa Biogás e da Eletropaulo, com a coordenação da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente. As cifras do empreendimento são impressionantes: com potência elétrica de 22,6 MW (megawatts) e capacidade para produzir até 170 mil MWh (megawatts por hora) de energia, a usina deverá funcionar pelos próximos 15 anos, aproveitando não apenas o que será depositado no aterro até 2006 ? quando está previsto o encerramento dos depósitos ? mas também os ?estoques? de 30 milhões de toneladas de combustível em potencial. A articulação entre as empresas envolvidas na construção da usina é igualmente exemplar para quem se proponha a enveredar por iniciativa idêntica. No caso do Unibanco, que financiou a usina com 60 milhões de reais, o retorno será conseguido mediante o não- pagamento da energia fornecida a todas as suas agências no Estado de São Paulo, que são cerca de mil. Em um tipo de negócio em que todos ganham, principalmente a comunidade, a Eletropaulo entrou com 2,5 milhões de reais, investidos na construção de uma subestação que processará a energia que vem do lixo e através de uma rede de distribuição abastecerá 2.200 famílias de baixa renda, que se valiam de ?gatos? e outros meios precários e ilícitos. A Biogás também participará financeiramente desse aspecto da empreitada. O gás gerado pelo lixo é captado do subsolo do aterro através de uma rede de cerca de 50 quilômetros de extensão, o que é uma mostra da grandeza do empreendimento. É por demais salutar toda e qualquer parceria que tenha como objetivo o interesse da coletividade, alavancando, também, o crescimento social e econômico do País. É o que chamamos de parceria exemplar. (*) É DESEMBARGADOR DO TJ/AL

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