Opinião
Deu zebra
Nos últimos anos, a ausência de uma regulamentação clara e uma velha tendência de se fazer vistas grossas para a questão do jogo no Brasil fizeram crescer a jogatina em todo o País. O recente escândalo Waldomiro fez desabar uma cachoeira de problemas e atenções sobre esse tema. Tema muito mal resolvido, ao longo da história, e que, na última década, evoluiu sem controle, ganhando ares de uma legalidade prática sem correspondência efetiva na legislação vigente. Proibida por Lei, a jogatina espalhou-se a céu aberto, em parte encampada pelo próprio governo (as ?loterias?), em parte tocada de forma não-governamental, como os bingos. O secular jogo do bicho manteve-se onde sempre esteve, ou seja, na penumbra de uma intensa atividade (oficialmente clandestina) ao alcance de todos. As máquinas caça-níqueis viraram uma praga nacional. Enquanto isso, o tipo de jogo praticado na modalidade cassinos, considerado de grande peso para o incentivo de um tipo de turismo de alto faturamento, seguiu sendo o único efetivamente proibido. A clandestinidade de uma prática econômica sempre aprofunda os vícios e cria redes subterrâneas de sustentação. A contravenção do jogo do bicho sempre foi um exemplo de como várias práticas podem se encontrar no submundo. O hábito de jogar deve ser considerado também como uma característica universalmente estabelecida. O Brasil não fica fora disso, vide o caso do jogo do bicho, que tem atravessado os séculos apesar da proibição legal e das várias ondas repressivas desencadeadas sobre essa forma de jogatina. Com tanta experiência acumulada acerca dessa questão, é hora de se encaminhar uma solução definitiva, ou pelo menos é necessário se buscar uma resposta nova a essa realidade, que muito se alterou nos últimos anos. Não serão medidas provisórias que resolverão o problema. Faz-se necessário uma nova legislação, moderna, que responda a esse dilema contemporâneo que é a explosão do jogo, em várias modalidades, por todo o País. Enquanto a hipocrisia persistir e enquanto persistirem as contradições entre o proibido e o permitido nesse mesmo tema, o problema só se agravará.