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Opinião

Rumo ao fundo

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Os desastrosos resultados obtidos pela economia brasileira no primeiro ano do governo Lula não podem ser entendidos apenas como um balde de água fria nas esperanças de milhões de brasileiros. O decrescimento econômico brasileiro detectado durante o ano passado deve ser estudado como conseqüência inexorável de um projeto, o mesmo projeto político-econômico que foi praticado durante os oito anos do duplo governo FHC. Não basta criticar a dupla de czares da economia brasileira, é necessário se cobrar, sem paixões partidárias ou cismas ideológicos, uma mudança de rumo. O ano passado se caracterizou, como nos anos anteriores, pela busca desenfreada (à qualquer preço) da boa vontade dos organismos multilaterais e investidores internacionais. E todas as ordens ditadas desde o FMI e demais credores internacionais foram religiosamente seguidas. E o País encolheu. O fetiche da ?credibilidade externa? conduziu a uma realidade deplorável, o definhamento econômico brasileiro. Em comparação com o último ano, o governo passado, o atual governo investiu ainda menos do orçamento de 2003 em comparação ao orçamento de 2002 e pagou mais. Em 2003, foram destinados para a amortização da dívida pública o montante de R$ 412,9 bilhões (54,16%) dos recursos da União. No ano anterior, foram destinados, para o mesmo objetivo, R$ 349,6 bilhões (45,6%). Isto resultou, como seria de esperar, num contingenciamento de parcelas enormes de recursos que foram remanejados de um grande número de projetos e programas importantes (do ponto de vista econômico e social) para atingir a meta do superávit primário. Assim é que dos 1.411 projetos e programas para 2003, 78% foram contemplados com menos da metade dos recursos previstos no Orçamento, de acordo com o Instituto de Estudos Socioeconômicos. O fato é que podem persistir dúvidas para onde a política econômica de juros elevados e arrocho fiscal irá nos conduzir. Mas para onde ela já nos levou, até agora, todos os indicadores econômicos e sociais estão mostrando: ao fundo do poço.

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