Opinião
Elas...
GILBERTO DE MACEDO * Comemora-se neste mês o Dia Internacional da Mulher. Nada mais justo e merecido, pelo que a mulher representa para a humanidade e as sucessivas gerações. Desempenha um papel singular, incomparável, na sociedade de todo os tempos. Daí a afirmação de Tennuyson: ?Deus fez a mulher para o homem e para o bem e incremento do mundo.? Sem ela a humanidade não teria continuidade nem progressão. Acabaria ao se iniciar. Eis que ela é a mais bem dotada representante da espécie humana. Data-se aqui da imagem da mulher ideal. Do padrão imaginado como modelo de pessoa. Razão de ser referência admirável de elogios gerais, sem restrições. Levado pelo deslumbramento dela disse Pitigrilli: ?A mulher ideal é um cristal colorido através do qual olhamos a vida?. Sim pelo encanto que invade o olhar e a emoção de quem a percebe. É o despertar de beleza comovente. Beleza na plenitude do conceito. Logo da figura harmônica do corpo delicado e suave dos movimentos musculares sincrônicos, adaptados com espontaneidade aos atos do momento, da postura elegante no repouso e nos deslocamentos do caminhar leve, quase suspenso, como se estivesse flutuando ao sopro do vento. E beleza de alma, na amorosidade da ternura, na riqueza dos belos sentimentos, na tonalidade suave da voz cantante, na doçura simbólica do olhar cativante, na brandura do cumprimento manual. Daí a inspiração que suscita, como se vê no grande poeta Verlaine: ?Tenho muitas vezes esse sonho estranho e penetrante/de uma mulher desconhecida que eu amo e que me ama/ E que não é, de cada vez nem completamente a mesma/ nem completamente uma outra, e me ama e me compreende/ será morena, loura ou ruiva? / ignoro/ seu nome? Lembro-me de que é doce, e sonora/ como o dos seres amados que a vida exilou.? É a beleza deslumbrante da mulher ideal. Da imagem incomparável que a sensibilidade poética sabe criar. Beleza de natureza e de vivência. Da origem e do transcurso. Existencial da pessoa. Completa, elevada e pura. Na forma da aparência e no sentido da intimidade. É a perfeição do ser que se identifica no amor. Daí a razão de um grande pensador, o notável Balzac, ter chegado a dizer que ? ... as mulheres vêem tudo ou não vêem nada, segundo as disposições de sua alma: o amor é a sua única luz?. O amor, sim. É desse modo a glorificação na atitude e na maneira de comportamento na convivência privada e na publica. Nesse sentido, beleza na inocência e na sinceridade de amar. É belezavirtuosa a que levou Cervante a dizer: ?Deve-se fazer com a mulher honesta tal como com as religiosas, adorá-las e não tocá-las?. Assim, amar com toda a grandeza respeitável desse maior ato humano, onde se completam a dedicação de companheira e a devoção de amante. Integração de corpo e alma! Plenitude humana. Por outro lado, há na mulher o heroísmo na luta pela vida, conquistando respeitável situação na sociedade, granjeando merecida admiração nas diversas atividades sociais, políticas e profissionais. É de uma delas, Simone de Beauvoir, famosa no âmbito internacional das belas letras e da filosofia, a seguinte frase: ?Foi pelo trabalho que a mulher transpôs, em grande parte, a distância que a separa do homem?. Comemore-se, pois o Dia Internacional da Mulher. É engrandecedor! (*) É MÉDICO