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Nº 5752
Opinião

Pesquisas

APOLINÁRIO REBELO * Nas disputas eleitorais que vivenciamos, o voto é um ato político essencialmente subjetivo. É uma construção paulatina no imaginário do eleitor. Mesmo quando este revela uma tendência essa possibilidade só se transforma em realidade

Por | Edição do dia 12/03/2004 - Matéria atualizada em 12/03/2004 às 00h00

APOLINÁRIO REBELO * Nas disputas eleitorais que vivenciamos, o voto é um ato político essencialmente subjetivo. É uma construção paulatina no imaginário do eleitor. Mesmo quando este revela uma tendência essa possibilidade só se transforma em realidade após uma maturação. Descobrir o elo desse processo para consolidar ou reverter uma tendência é um dos grandes segredos das pesquisas. Nesse aspecto, a questão passa a ser, sobretudo, técnica e metodológica, embora a leitura e os desdobramentos das informações sejam de natureza política. Escutar o eleitor, ler nas entrelinhas de suas respostas, perceber o que está dado, principalmente o vir a ser, a possibilidade, a mudança, a alteração que está em curso e agir sobre esta tendência é o que propiciam os números e frases de uma boa pesquisa. No livro “1º Guia Básico do candidato”, Carlos Brickman, Norma Alcântara e Fernando Natividade afirmam que “a pesquisa é um instrumento decisivo na vida de qualquer candidato” e podemos acrescentar “de qualquer partido” ou mesmo “produto”. A pesquisa quantitativa serve “para indicar que porcentagem do eleitorado efetivamente o conhece (candidato/partido), quantos têm a intenção de votar nele, como se divide sua base”. A qualitativa “indica quais são, para o eleitorado, suas qualidades e seus defeitos, pontos positivos e negativos”. Os autores concluem que “a partir de uma boa análise desta pesquisa, surgirá a estratégia da campanha”, ou parte dela. Duda Mendonça, em “Casos e Coisas”, livro que narra histórias de sua vasta experiência profissional diz que “a pesquisa quantitativa tem por objetivo conhecer e quantificar as preferências, as aspirações, os medos, os anseios de um determinado grupo de pessoas. Esse grupo pode ser uma escola, uma cidade, uma região, um Estado ou até mesmo um país”. Já a pesquisa qualitativa, diz Mendonça, busca “conhecer mais fundo o pensamento de determinado grupo de pessoas, representativo de uma determinada camada da população”. E aqui está um dos segredos da pesquisa pois “todos os comentários e todas as reações do grupo - inclusive as não-verbais, como uma cara feia ou um gesto de desaprovação - são gravados e anotados”. Em vários setores da esquerda há subestimação e até mesmo preconceito sobre as pesquisas eleitorais. É como se alguém pensasse que o método de análise marxista dispensasse esse tipo de procedimento e acreditasse apenas na capacidade e competência de observar a realidade. A pesquisa é o microscópio quepermite ver boa parte da realidade que não se apresenta facilmente a olho nu. Quem não compreender isso age pensando que no céu noturno há apenas a Lua e as estrelas e assim não vê meteoros e outros objetos que se movimentam no silêncio e na penumbra. Outro argumento insuficiente é a “falta de dinheiro”. É óbvio que isso pesa, mas pesquisa não é despesa, é investimento. Como é que se vai fazer uma disputa em quase dois mil municípios com candidatos a vereador, concorrer a prefeituras importantes de capitais com nome próprio ou coligado sem uma visão mais abrangente da realidade? É como entrar no nevoeiro em alto-mar, achando que sonar, radar e GPS são artigos de luxo e dispensáveis para os barcos que estão rapidamente se transformando em navio. (*) É JORNALISTA ALAGOANO, RADICADO EM BRASÍLIA

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