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Os jovens e o sexo

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A Unesco divulgou os resultados da pesquisa que realizou em 2001 entre 16.422 estudantes brasileiros, na faixa etária entre 10 e 24 anos, de 241 escolas públicas e particulares do Distrito Federal e de 13 capitais (Maceió, Cuiabá, Belém, Fortaleza, Florianópolis, Manaus, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Recife, Goiânia, Salvador, Vitória e São Paulo). O tema foi juventude e sexualidade. De acordo com o levantamento, os jovens brasileiros se iniciam sexualmente aos 14 anos e pouco mais de 10% ainda mais cedo, entre 10 e 14 anos. Se a iniciação sexual é precoce, a relação sexual se dá com um único parceiro, segundo 70% dos jovens entrevistados e ?80% recusam a perspectiva de amor sem fidelidade?. Entre as alunas pesquisadas, 12,2% em Florianópolis e 36,9% na vizinha Recife, já ficaram grávidas pelo menos uma vez (em média com a idade de 16 anos). Ainda mais grave é a constatação de que no universo pesquisado, dentre 22,2% (Cuiabá) e 33,3% (Fortaleza) de meninas com idade entre 10 e 14 anos também já ficaram grávidas. Quanto ao aborto, tema ignorado pelas autoridades brasileiras responsáveis pela saúde pública, a maioria aceita em casos que a legislação brasileira permite. A falta de informação e de diálogo é ainda o grande entrave na obtenção de uma sexualidade mais saudável e segura para os jovens. Como a pesquisa também foi aplicada aos pais dos alunos e aos professores, obtém-se um amplo leque de informações a respeito de como a questão é tratada na escola e em casa. Enquanto dois terços dos pais entrevistados conversam com os filhos sobre o tema, um terço não o faz, escamoteando o tema. E, ainda por cima, a maioria dos alunos entrevistados declarou que os pais que conversam têm dificuldades na abordagem. Nas escolas, o tema é tratado amplamente, mas, segundo especialistas, de forma difusa e pouco atrativa, o que termina por não atingir seus principais objetivos: informar e prevenir. Ou seja, em pleno século XXI, o preconceito e o silêncio omisso ainda são capazes de criar mais obstáculos à compreensão das questões básicas do relacionamento sexual dos jovens, contribuindo para a perpetuação de erros e equívocos que podem marcar toda uma vida.

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