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Opinião

Mulher e velocidade

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MARCOS DAVI MELO Por uma interessante coincidência, a semana da mulher se encerra com uma polêmica. É a polêmica do limite dos 60 quilômetros nas principais avenidas da cidade. Para alguns especialistas em trânsito, este limite não se justifica e seria uma forma de impingir um maior número de infrações e arrecadar mais dinheiro em multas. Seria, então, um capricho? Caprichos, os sábios já o diziam desde a antiguidade, são apanágio muito mais feminino do que masculino. Públio Siro em suas ? Sentenças? afirmava: ?A mulher ou ama ou odeia; não há outra alternativa?. Ele e muitos outros sábios de ontem e de hoje (não nós, vis mortais), queriam e querem dizer que as mulheres são, antes de tudo, caprichosas. Assim, os amadurecidos pela idade e pela necessidade, se homens, sempre deverão ser guiados pelas ações que privilegiem o equilíbrio, a isenção, sem que isto configure chauvinismo. A limitação dos 60 quilômetros dentro da cidade de Maceió nos parece, em princípio, uma medida satisfatória, se não em todas as vias, pelo menos em grande parte delas, como na orla da Pajuçara, da Ponta Verde e da Jatiúca. Já pelas bandas da TriKem, com pista dupla e corredor de entrada e saída da cidade, o limite poderia ser um pouco superior: talvez uns 80 quilômetros por hora. Em outras artérias semelhantes, o raciocínio seria o mesmo. O que não pode perdurar é a suspeita de que esta determinação contemple prioritariamente o interesse de complicar a vida do motorista, obrigando-o a transgredir uma determinação e onerando-o ainda mais a favor dos cofres públicos. O atual prefeito Sexta-feira, em boa hora, resolveu suspender o caráter punitivo e pecuniário desta medida, dando-lhe a conotação educativa. É a flexibilização. Temos uma convicção no que se refere ao trânsito: a presença ostensiva da autoridade pública é indispensável, mas primeiro é preciso orientar, educar; segundo advertir e só em terceira instância punir o transgressor. Ultimamente por aqui as coisas não estavam caminhando neste sentido civilizado, a impressão predominante é que existiria uma clara tendência para aproveitar todos os mínimos cochilos dos motoristas e tachar-lhes uma multa. Uma caprichosa e voluntariosa ânsia arrecadatória, que não deveria ser uma prerrogativa do Poder Público, se no caso superar a sua obrigação maior, que é a de educar, orientar, advertir e só na instância seguinte e final, penalizar. Nas mulheres aceitamos os caprichos e todas as possíveis outras peculiaridades inerentes à condição feminina, que em compensação tantas outras boas qualidades nos dão. Entre elas a de serem a melhor coisa que existe neste velho mundo sem porteira e não temos dúvidas de que nunca aparecerá nada melhor, o que não se pode afirmar das leis e dos regulamentos públicos. (*) É MÉDICO

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