Opinião
QUAL ESPET�CULO?
Em meados do primeiro semestre do ano passado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que o País veria ainda em 2003, o que denominou de ?espetáculo de crescimento?. O resultado foi que o país não cresceu (retração de 0,2% do PIB), a renda do trabalhador caiu e o desemprego bateu recorde. O cenário anunciado não se materializou, e o custo da manutenção da política econômica continua elevado. Eleito sob o signo das mudanças, o governo parece estar se contentando em administrar o que alguns analistas econômicos denominam de ?janelas de oportunidades?, tentar aproveitar ao máximo o cenário internacional favorável e, dentro desses limites, estabelecer uma taxa de crescimento econômico compatível com esta realidade, do que implementar mudanças efetivas nos rumos econômicos do País. No governo parece ter cristalizado a idéia de incompatibilidade entre mudança e credibilidade. Ao buscar a credibilidade dos investidores internacionais (diga-se de passagem, necessária no início do governo) e ao mesmo tempo evitar mudanças na política econômica, o presidente Lula tenta conseguir o que seu antecessor (afinado com a banca internacional) não conseguiu: investimentos diretos de longo prazo. O presidente Lula assegurou que não haverá mudanças na política econômica do governo, e de que estamos próximo de atingir a meta da inflação fixada para este ano (5,5%). Além de sinalizar que não pretende alterar a meta de inflação (defendida por muitos), o presidente reafirmou o compromisso com o centro da meta, sem a tolerância permitida, o que não foi conseguido na maioria das vezes, desde que o sistema foi aqui implantado. ?Não há como a economia brasileira não crescer neste ano. Possivelmente, não vai crescer o tanto que nós gostaríamos que ela cresça, mas vai crescer?, prometeu mais uma vez o presidente. Eis o xis da questão: o quanto. Depois do medíocre desempenho da economia brasileira em 2003, crescer não é tarefa difícil. O preocupante é o País se contentar com taxas de crescimento tipo 3,5% ao ano, que no longo prazo, não nos levarão a lugar algum.