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Nº 5692
Opinião

OS MALES ESPIRITUAIS NO CONTEXTO DA PANDEMIA

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Por Paulino Fernandes de Lima – defensor público e professor | Edição do dia 06/05/2021 - Matéria atualizada em 06/05/2021 às 04h00

Entre as muitas reações adversas à que se esperava depois do aparecimento da COVID-19, surgiram ou ressurgiram no meio sócio-político, algumas concepções e sentimentos que só causam mais malefícios, além dos já impostos pelo sofrimento físico, próprios da Doença. Já estamos no segundo ano de convivência com a indesejável Pandemia, e aquela esperada mudança comportamental (para melhor), parece cada vez mais uma utopia. Em seu lugar, o que se tem observado mesmo (e em grande quantidade) é o aumento ou surgimento d’alguns “ismos”, tais como o “negacionismo”, o “pessimismo”, o “ceticismo” e outras concepções congêneres.

Mesmo ultrapassando o número de três milhões de mortes, no mundo, em decorrência da Pandemia, há entre os outros milhões de habitantes do Planeta, especialmente em nosso País, muita gente que não acredita na gravidade ou na letalidade da Doença. Foram logo, categórica e devidamente batizados de negacionistas. Na Filosofia, sob a concepção espiritual ou doutrinária, o termo significa a oposição a uma crença ou a uma teoria anterior, mas sem a substituir por nada, conforme o Vocabulário Técnico e Crítico da Filosofia, de André Lalande (SP, Martins Fontes). Não menos acentuado é o número daqueles que não negam a existência do Vírus, mas a de quem é, incomparavelmente superior a ele e, portanto, único capaz de debelá-lo, que é Deus. Já os pessimistas são aqueles que têm predisposição de espírito, para ver o lado mau das coisas; enquanto o ceticismo é próprio dos que têm “mentalidade caracterizada não pela dúvida propriamente dita, mas pela incredulidade e por uma tendência para desconfiar das máximas morais que os homens professam” (conforme op. cit.) Não deveria ser assim. Lembro que logo no início da Pandemia, apregoou-se, em demasia, que a humanidade deveria usar de empatia, de solidariedade e ainda se creu que ela se tornaria melhor. Entretanto, as notícias que chegam todos os dias, é a de que o tempo e nossos projetos de vida até podem ter parado, mas o crescimento da violência, especialmente em relação aos crimes contra a vida, só tem aumentado. Dados colhidos, por exemplo, pela BBC Brasil, no ano passado, mostrou que, embora o número de crimes contra o patrimônio tenha diminuído, houve preocupante aumento, por exemplo, de feminicídios (disponível em https://www.bbc.com/portuguese/geral-54587404). Isso sem se falar doutros conflitos nos lares que, embora não caracterizem conduta criminosa, culminaram no desfazimento de famílias, fenômeno que nada contribui para uma sonhada felicidade coletiva. Entretanto, e mesmo entre tantos dados ruins, munido do otimismo do Filósofo Leibniz, em contraponto ao pessimismo do seu colega alemão, Schopenhauer, creio que ainda há tempo para que esses “ismos” maléficos dêem lugar a auspiciosos sentimentos de bondade e de fraternidade.

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