app-icon

Baixe o nosso app Gazeta de Alagoas de graça!

Baixar
Nº 0
Opinião

Os juros

HUMBERTO MARTINS * Apesar do alto endividamento do nosso país, interno e externo, a maior parte dos responsáveis pela coisa pública, nos planos federal, estadual e municipal, parece não atribuir à matéria a devida importância. Tanto é assim que, freqüe

Por | Edição do dia 16/03/2004 - Matéria atualizada em 16/03/2004 às 00h00

HUMBERTO MARTINS * Apesar do alto endividamento do nosso país, interno e externo, a maior parte dos responsáveis pela coisa pública, nos planos federal, estadual e municipal, parece não atribuir à matéria a devida importância. Tanto é assim que, freqüentemente, obras adiáveis ou que poderiam ser realizadas com recursos próprios são anunciadas e realizadas com empréstimos no exterior. Como os juros no mercado internacional são maiores à medida que as nações mais devem, continua o Brasil a pagar uma das taxas mais caras do mundo, comprometendo assim a execução de medidas inadiáveis em setores vitais para a população, tais como segurança, saúde, educação, estradas e muitas outras. O resultado desse conjunto de erros e omissões é que o governo brasileiro é um dos que mais gastam com juros, entre todos no mundo. Levantamento da agência de classificação de risco Standard & Poor’s, que abrange 96 países, coloca o Brasil no quarto lugar da lista dos que pagam os juros mais caros, atrás apenas da Jamaica, da Turquia e do Líbano. Quando falam, o presidente da República, o ministro da Fazenda e o presidente do Banco Central enaltecem os supostos progressos feitos pela política financeira posta em prática pelo atual governo, mas quando a situação é comparada com as demais nações, o contraste é lamentável. De 2002 para 2003 ocorreram pequenas variações. Enquanto o ranking dos que pagam juros mais caros era formado pela seqüência Jamaica, Turquia, Líbano e Brasil, agora é Turquia, Líbano, Jamaica e Brasil, respectivamente em primeiro, segundo, terceiro e quarta colocações. Trata-se de uma situação demasiadamente comprometedora, principalmente quando são comparadas as potencialidades das quatro nações e as dimensões das suas economias. Em razão dessa situação de vulnerabilidade, o Brasil continua numa espécie de UTI financeira, dependendo, desde 1995, da assistência do Fundo Monetário internacional, F MI. Com o governo necessitado de economizar recursos para pagamentos de juros altos,; falta de dinheiro para investimentos que poderiam, estimular a economia e aumentar o número de empregos. Quase 10% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional – exatamente 9,49% - foram destinados, ano passado, ao pagamento de juros. Somando todas as despesas da União, estados, municípios e estatais, foram R$ 145,210 bilhões, valor mais alto desde 1991. Por trás dos discursos e entrevistas que pintam uma realidade utópica, o número das estatísticas indica que, em matéria de situação financeira, continua o Brasil marcando passo, sem apresentar progressos reais. Os extorsivos juros que pagamos se prolongam através de diversos governos federais, inclusive, no atual, onde se esperava uma radical mudança de rumo. Ainda se aguarda com expectativa, do presidente Lula da Silva, a retomada do crescimento do País, com mais emprego e justiça social, tornando-se imprescindível a redução dos juros da nossa dívida externa e da remessa de dólares aos credores internacionais, por exigência do FMI, para que internamente haja maiores investimentos. (*) É DESEMBARGADOR DO TJ/ALAGOAS

Mais matérias
desta edição