Opinião
Pela ciência ou pela ignorância
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Aristóteles escreveu: “O ignorante afirma, o sábio duvida, o sensato reflete”. A Universidade de Washington publicou um estudo onde prevê que em 1º de agosto próximo, o Brasil poderá ter um mínimo de 575,6 mil mortes pela pandemia de Covid19 caso a população adote todos os cuidados sanitários e se acelere a vacinação. No cenário pior, todavia, ocorrerão 653,8 mil mortes , caso os vacinados deixem de usar máscaras e a sociedade acate o mesmo nível de deslocamento e exposição anteriores. Os sistemáticos atrasos no cronograma de vacinação por parte do Ministério da Saúde devido à falta de imunizantes serão determinantes: quanto mais tempo o País vive uma situação de livre contágio, maior é a probabilidade de gerar variantes mais transmissíveis e violentas, podendo assolar-nos uma terceira onda ainda neste semestre.
Na CPI do Senado, Mandetta e Teich registraram a impossibilidade de implementar as diretrizes da ciência para enfrentar a pandemia e a pressão do presidente da República para que adotassem a cloroquina, remédio contraindicando por todas as sociedades científicas nacionais e internacionais, pela OMS, pela EMA, FDA e pela Anvisa. Relatou-se a existência de uma “assessoria paralela” na Saúde, que contaria com a presença de filho do Presidente, onde se sabotaria as orientações científicas, forçava-se o uso de cloroquina e se deixava a pandemia solta em busca da “imunidade de rebanho”. Mandetta entregou em março de 2020 (quando existiam menos de 2 mil mortes no Brasil) um documento a Bolsonaro alertando-o que poderia existir colapso do sistema de saúde e mais milhares de mortes. Esse documento é uma evidência de negligência para a CPI. O ministro Queiroga, evasivamente, fugiu das perguntas e mostrou que para se garantir no cargo poderá esquecer a ciência, ser absorvido pelo negacionismo e teme-se que permanecerão as mesmas condições que impossibilitaram Mandetta e Teich trabalhar com o apoio da ciência. Queiroga frustrou quem tinha esperanças em uma conduta autônoma e técnica no ministério da Saúde, portanto, as chances de a “assessoria paralela” negacionista permanecer são fortes, mas pelo menos afirmou que jamais tomou cloroquina e ivermectina. No Planalto, o presidente da República renovou ataques e difamações à China, nosso maior parceiro comercial e principal fornecedor de IFA e vacinas, reiterou a inaceitável prescrição de cloroquina e ameaçou com decretos inconstitucionais obstaculizar as medidas sanitárias não farmacológicas regionais, robustecendo o caminho em direção ao pior cenário previsto pela Universidade de Washington - 653,8 mil mortos em agosto. O presidente da República reforça o seu desprezo pela ciência e dificulta ainda mais a chegada de vacinas. Afirmou Disraeli: “A ignorância nunca resolve uma questão”. Não será essa a primeira vez.