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Opinião

Gestos

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Gestos, de palavras e ações, são guias à melhor direção. Os excelsos, marcam a existência. Os humanitários, tornam a alma leve. Os providentes, asseguram a qualidade da vida. Os de respeito, aprimoram a cidadania. A história comprova, há casos e casos que podem ser vistos, em diversos assuntos.

No grandioso desafio que todas as nações do Mundo vêm enfrentando para vencer a Pandemia da Covid-19 que a tantos já afetou, a primeira grande crise do século XXI, os gestos agem como forças positivas e fontes de esperanças, para salvar vidas. Podemos considerá-los parte das soluções. O DNA explícito da humanidade. Certamente, os gestos colaboram com a manutenção da moral e com a multiplicação da energia das pessoas. De forma que, os exemplos dos gestos dos grandes líderes são fundamentais em toda e qualquer tragédia, e esta não é diferente. Este tipo de postura dos líderes nunca faltou nas épocas mais problemáticas, vejamos. Num período um pouco mais distante, meados do século XX, de grave crise global, o comportamento de um líder chamou uma enorme atenção, durante a Segunda Guerra Mundial. Trata-se do estadista Winston Churchill, primeiro-ministro do Reino Unido da Grã-Bretanha, incansável na luta em apoio e proteção de sua gente e do território da ilha. Visitava locais bombardeados; hospitais (os feridos); escolas; abrigos; pontos de defesa militar grupos das linhas de frente – médicos, enfermeiros, professores, cuidadores e soldados; homenageava os mortos e consolava as famílias. Tudo era importante para manter a unidade e efetividade da nação. Liderava e coordenava os planos gerais e preparativos de lutas para vencer o arrasador inclemente nazi-fascismo. Seus discursos eram uma estratégia, de onde saíam frases de vital estímulo: “Não tenho nada a oferecer, senão sangue, trabalho, lágrimas e suor” – “Muitas coisas podem ser expressas numa palavra: liberdade; justiça; honra; dever; piedade; esperança”. No final, saiu vencedor, junto com seu povo, sem pedir para ser herói nem para ser chamado de mito. Era uma missão. Numa recente entrevista, o cineasta espanhol Carlos Saura, que, em criança, viveu uma guerra civil e, hoje, aos 89 anos, vivencia esta Pandemia, disse, de forma otimista, acreditando na ciência: “O futuro está cheio de possibilidades para os sonhadores”. Esta frase poética está a dizer que não estamos no fim dos tempos. Que a dor será superada. E que a vida seguirá com novas oportunidades, numa nova realidade. Ângela Merkel, chanceler da Alemanha, para quem a perda de uma só cidadã ou cidadão alemão contagiado pela Pandemia é motivo de imensa tristeza, nas suas palavras de Ano Novo, ao falar da importância da ciência, e condenar o negacionismo, complementou dizendo: “Sabemos o que podemos fazer para combater o vírus. Os meios mais eficazes, além da vacina, estão em nossas próprias mãos, ao cumprirmos as regras de proteção, cada um de nós”. Em outra cerimônia, o presidente germânico, Frank-Walter Steinmeier, ao destacar o intenso esforço do governo no combate à Pandemia, e chamando à consciência a responsabilidade de todos, foi categórico: “Uma sociedade que ignora esse sofrimento vai ser danificada como um todo”. Ao tomar posse, em janeiro, como novo presidente dos EUA, país vetor da geopolítica internacional, Joe Biden foi claro, no seu discurso aos americanos: “Juntos, devemos escrever uma história de esperança, não de medo. De união, não de divisão. De luz, não de escuridão. Uma história de decência e dignidade, amor e cura, grandeza e bondade”. De imediato, implementou o novo plano de combate à Pandemia, cumprindo a palavra, conforme havia prometido na campanha eleitoral. Os 100 primeiros dias do governo Biden, defensor da ciência, completados dias atrás, foram bem avaliados, principalmente na Europa. As perspectivas para o futuro são animadoras, não só pela mudança do quadro sanitário da Pandemia, completamente superior ao caos encontrado, mais, também, por medidas que fazem o país voltar a participar de causas mundiais, como o Acordo de Paris – sobre o clima, em que promoveu reunião com vários países; a colaboração com a OMS; e a decisão favorável à quebra de patentes de vacinas, na OMC. Quanto a gestos do líder brasileiro, no nível similar aos exemplos acima descrito, o silêncio falará melhor, por tudo que se assiste nesta fase pandêmica. Os deuses vão entender.

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